Primeira Leitura: Jn 3,1-5.10 - Salmo 24,4ab-5ab.6-7bc.8-9
(R. 4a.5a) - Segunda Leitura: 1Cor 7,29-31 - Evangelho Mc 1,14-20
O tempo é Breve
O fio condutor que liga e dá unidade temática às três
leituras deste domingo é o tema do tempo.
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1ª leitura: Dentro de quarenta dias
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2ª leitura: O tempo de faz curto
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Evangelho: O tempo está realizado
Deus no hoje do homem
A Bíblia, revelação do Deus transcendente, abre-se e se
fecha com observações temporais: “No princípio Deus criou...” (Gn 1,1); “Sim,
venho muito em breve” (Ap 22,20). Deus não é cultuado, na Bíblia, de modo
atemporal e abstrato, em sua essência eterna, como nos filósofos gregos, mas em
suas intervenções no momento presente do homem, que fazem da história do mundo
uma história divina. Na experiência humana do tempo se sobrepõem dois aspectos:
um, regulado pelos ciclos da natureza (tempo cósmico), e outro, ritmado pelo
fluxo dos acontecimentos (tempo histórico).
O tempo histórico, na mentalidade do homem bíblico, é
marcado por grandes intervenções de Deus na história, de tal modo que a
história do mundo se torna uma história da salvação. Esta história caminha
trabalhosamente, através de etapas sucessivas, para Cristo, que representa seu
cume e pleno acabamento. Cristo tem consciência disto quanto, no início de sua
pregação, declara expressamente: “O tempo está realizado e o Reino de Deus está
próximo...”. Com ele chegou a “plenitude dos tempos”. Ele introduz na história
o elemento definitivo e discriminante pelo qual podemos dizer: antes... agora.
“Outrora éreis sem Cristo... estranhos às alianças da
promessa” (Ef 2,12). “Agora, ele vos reconciliou pela morte do seu corpo de
carne” (Cl 1,22). Com Jesus, verificou-se o evento definitivo, mas este ainda
não deu todos os seus frutos. Os “últimos tempos” estão apenas inaugurados: a
partir da sua ressurreição, eles se dilatam e se tornam “tempo da Igreja”. Por
isso é que o reino de Deus tem uma dimensão atual e escatológica.
A conversão ao evangelho de Jesus Cristo representa para
cada homem mudança de era, uma passagem do mundo presente ao mundo futuro, do
tempo antigo, que caminha para a ruína, ao tempo novo, que caminha para a plena
manifestação. A importância do “tempo da Igreja” deriva do fato de tornar ele
possível essa passagem; e o “momento favorável” (Kairós), o “dia da salvação”
(2Cor 6,2).
O tempo de quem “não tem tempo”
A vitória de Cristo sobre a morte é superação dos limites do
tempo e do espaço. Cristo opera uma demitização do tempo contra as concepções
que haviam divinizado, coisificado o incessante e incontrolável fluxo das
estações. A vitória sobre a morte cria um tempo e um espaço para o homem, tempo
e espaço de construção de sua identidade e da identidade de toda a comunidade
humana. Um “tempo para o homem” não é só dom; deve ser também conquista. Mas a
busca de tempos de produção cada vez mais breves, a impossibilidade de
deter-se, a máquina cada vez mais veloz como símbolo da potência, a
incapacidade de controlar a corrida dos acontecimentos, a necessidade frenética
de atualização para não se sentir superado de um dia para o outro, podem ser
sintomas de uma nova sujeição do homem ao tempo. Uma marcha para trás.
O tempo devora o homem
Há quem esteja cansado por já ter caminhado demais; há quem
se viu repentinamente posto à margem, como detrito inútil; há os que foram
lançados fora pela engrenagem social: anciãos, doentes crônicos, excepcionais,
esquizofrênicos. A sociedade tecnológica não tem tempo para eles, porque não
são úteis ao processo de produção. Para estes, constroem-se casa de saúde,
hospitais, abrigos e asilos. O importante é que não impeçam o caminho. Tempo de
desgosto e tristeza para marginalizados, os que se reconhecem um “peso”. Desejo
do ancião de sair de seu meio, ou tentativas, por parte da família, de
convencê-lo de que na casa de saúde “tudo é adequado a ele”: a sociedade se
recusa a ser “comunidade terapêutica”, na qual o doente seja curado sem ser
cortado do contexto social em que vive.
Fonte: Missal Dominical -
Paulus
Fique com Deus e
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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