domingo, 25 de janeiro de 2015

3º Domingo Comum Ano “B” Marcos - O tempo é Breve

Primeira Leitura: Jn 3,1-5.10 - Salmo 24,4ab-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a.5a) - Segunda Leitura: 1Cor 7,29-31 - Evangelho Mc 1,14-20

O tempo é Breve

O fio condutor que liga e dá unidade temática às três leituras deste domingo é o tema do tempo.

ü  1ª leitura: Dentro de quarenta dias
ü  2ª leitura: O tempo de faz curto
ü  Evangelho: O tempo está realizado 

Deus no hoje do homem

A Bíblia, revelação do Deus transcendente, abre-se e se fecha com observações temporais: “No princípio Deus criou...” (Gn 1,1); “Sim, venho muito em breve” (Ap 22,20). Deus não é cultuado, na Bíblia, de modo atemporal e abstrato, em sua essência eterna, como nos filósofos gregos, mas em suas intervenções no momento presente do homem, que fazem da história do mundo uma história divina. Na experiência humana do tempo se sobrepõem dois aspectos: um, regulado pelos ciclos da natureza (tempo cósmico), e outro, ritmado pelo fluxo dos acontecimentos (tempo histórico).

O tempo histórico, na mentalidade do homem bíblico, é marcado por grandes intervenções de Deus na história, de tal modo que a história do mundo se torna uma história da salvação. Esta história caminha trabalhosamente, através de etapas sucessivas, para Cristo, que representa seu cume e pleno acabamento. Cristo tem consciência disto quanto, no início de sua pregação, declara expressamente: “O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo...”. Com ele chegou a “plenitude dos tempos”. Ele introduz na história o elemento definitivo e discriminante pelo qual podemos dizer: antes... agora.

“Outrora éreis sem Cristo... estranhos às alianças da promessa” (Ef 2,12). “Agora, ele vos reconciliou pela morte do seu corpo de carne” (Cl 1,22). Com Jesus, verificou-se o evento definitivo, mas este ainda não deu todos os seus frutos. Os “últimos tempos” estão apenas inaugurados: a partir da sua ressurreição, eles se dilatam e se tornam “tempo da Igreja”. Por isso é que o reino de Deus tem uma dimensão atual e escatológica.

A conversão ao evangelho de Jesus Cristo representa para cada homem mudança de era, uma passagem do mundo presente ao mundo futuro, do tempo antigo, que caminha para a ruína, ao tempo novo, que caminha para a plena manifestação. A importância do “tempo da Igreja” deriva do fato de tornar ele possível essa passagem; e o “momento favorável” (Kairós), o “dia da salvação” (2Cor 6,2).

O tempo de quem “não tem tempo”

A vitória de Cristo sobre a morte é superação dos limites do tempo e do espaço. Cristo opera uma demitização do tempo contra as concepções que haviam divinizado, coisificado o incessante e incontrolável fluxo das estações. A vitória sobre a morte cria um tempo e um espaço para o homem, tempo e espaço de construção de sua identidade e da identidade de toda a comunidade humana. Um “tempo para o homem” não é só dom; deve ser também conquista. Mas a busca de tempos de produção cada vez mais breves, a impossibilidade de deter-se, a máquina cada vez mais veloz como símbolo da potência, a incapacidade de controlar a corrida dos acontecimentos, a necessidade frenética de atualização para não se sentir superado de um dia para o outro, podem ser sintomas de uma nova sujeição do homem ao tempo. Uma marcha para trás.

O tempo devora o homem

Há quem esteja cansado por já ter caminhado demais; há quem se viu repentinamente posto à margem, como detrito inútil; há os que foram lançados fora pela engrenagem social: anciãos, doentes crônicos, excepcionais, esquizofrênicos. A sociedade tecnológica não tem tempo para eles, porque não são úteis ao processo de produção. Para estes, constroem-se casa de saúde, hospitais, abrigos e asilos. O importante é que não impeçam o caminho. Tempo de desgosto e tristeza para marginalizados, os que se reconhecem um “peso”. Desejo do ancião de sair de seu meio, ou tentativas, por parte da família, de convencê-lo de que na casa de saúde “tudo é adequado a ele”: a sociedade se recusa a ser “comunidade terapêutica”, na qual o doente seja curado sem ser cortado do contexto social em que vive.

Fonte: Missal Dominical - Paulus

Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  
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