Primeira Leitura: 2Cr 36,14-16.19-23 - Salmo 136,1-2.3.4-5.6
(R. 6a) - Segunda Leitura: Ef 2,4-10 - Evangelho: Jo 3,14-21
Deus é fiel à aliança
A crise e o fracasso político de Israel são encarados em
nível religioso, seja como consequência de uma infidelidade do povo ao desígnio
de Deus e de uma falta de confiança em sua proteção, seja como uma provação, da
qual sairá uma nação renovada. O afastamento do Senhor adquire, pois, um valor
pedagógico: ele, que é fiel e misericordioso, não abandona os seus, mas só os
chama, através da variedade dos acontecimentos, à conversão e à obediência
sincera. É um acontecimento clamoroso, como a destruição da cidade e do templo
pelas mãos de um pagão, que faz voltar seus corações a Deus e a um culto
verdadeiro, já que não bastam os profetas que lembram as exigências do pacto
com Deus. E, para demonstrar o primado da iniciativa divina sobre todo esforço
puramente humano, é um pagão o instrumento escolhido para a restauração da
nação e do templo (1ª leitura).
Deus permanece fiel apesar do nosso comportamento
Esta leitura "teológica" da história, que parece
deixar de lado a responsabilidade humana, representa porém uma purificação e
uma indicação sempre válida: é preciso uma responder à fidelidade de Deus com
uma fidelidade sempre renovada, adequada aos tempos. nova capacidade de escuta
para compreender os caminhos com que o Senhor executa seu plano. Devemos
Fica assim evidente a atitude que deve ter o homem diante
dos acontecimentos que vive e dos quais é protagonista. Deve saber colher, em
sua fatualidade, a "palavra" de Deus. Fazer a verdade é compreender
esta palavra. Crer em Cristo é receber a luz que dá sentido ao que acontece.
Isto não é uma conquista nossa, é um dom de Deus, dom que, fazendo-nos
compreender sua vontade, salva-nos (evangelho e 2ª leitura). Toda a nossa vida
e a história adquirem sentido, definem um plano que se realiza no tempo.
Também hoje Deus nos dirige a palavra
Na verdade, os protagonistas e as testemunhas de um
acontecimento têm em geral grande dificuldade em discernir nele os elementos
significativos, e ficam cegos quando deveriam captar fielmente o sentido dos
acontecimentos e orientá-los.
Também hoje há quem lamente a destruição dos privilégios -
das instituições cristãs -, e não saiba ver o valor profundo dessa situação,
suscetível de uma leitura aberta e cheia de esperança. Se a Igreja não goza
mais de privilégios e atenções, se caminhamos para uma situação de
"diáspora", e o momento da fidelidade interior (talvez obscura), do
apoio que vem não mais de uma sociedade cristã, mas de pequenas comunidades que
encontram sua força na meditação da palavra de Deus. É uma esperança lúcida e
penosa numa nova primavera da Igreja, cujo tempo e cujas modalidades estão nas
mãos de Deus.
O desaparecimento de um regime de cristandade não pode ser
considerado um abandono de Deus. Enquanto exige uma decisão de fé mais pessoal
e livre, permite afastar-se criticamente da opinião e da mentalidade comum do
ambiente social, e tomar, em relação a ele, uma posição critica que pode
exprimir maior fidelidade a Deus. O declínio da cristandade e de certa
manifestação da fé não significa o desaparecimento da fé salvífica e nem sempre
um afastamento de Deus. Pode ser simplesmente desaparecimento de certos
pressupostos que não se podem identificar com a essência da fé. Essa nova
situação em que vivemos é um convite de Deus a uma fé mais madura, responsável,
consciente da entrega a ele.
Mas se o homem não é fiel...
Deus está sempre à procura do homem, perseguindo-o. "Tu
me caças como a um leão", exclama Jó no seu tormento. É como se Deus não
quisesse permanecer sozinho e houvesse escolhido o homem para ajudá-lo.
"Adão, onde estás?", chamava Deus ao primeiro homem, que se escondia
entre as árvores do paraíso terrestre depois do pecado. Esse chamado nunca mais
cessou na floresta da história. Deus permanece fiel ao homem, busca-o em todas
as suas fugas, porque o ama como só Deus pode amar, com a força e a ternura de
um Pai que é movido por um amor infinito.
Hoje, como ontem, o problema do homem consiste em fugir
desse Deus que o busca. É o homem que se esconde, que procura um álibi. E Deus
não se cansa de segui-lo.
Fonte: Missal
Dominical (Paulus)
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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