domingo, 12 de abril de 2015

2º Domingo da Páscoa: A comunhão dos bens na comunidade

Primeira Leitura: At 4,32-35 - Salmo 117,2-4.16ab-18.22-24 (R.1) - Segunda Leitura: 1Jo 5,1-6 - Evangelho: Jo 20,19-31

A comunhão dos bens na comunidade

A descrição da primeira comunidade cristã de Jerusalém é, certamente idealizada, não tanto como nostálgica lembrança do passado, mas antes como proposta atual às novas comunidades. Cada geração cristã que com ela se confronta encontra um estímulo para viver com a mesma coerência, em situações historicamente diversas, as exigências do anúncio cristão. 

A comunhão dos bens entre os cristãos (koinonia) é compreendida como a consequência natural da fé comum no Senhor: "um só coração e uma só alma", mas também "tudo era comum entre eles" Despojar-se dos bens e distribuí-los, através do ministério dos apóstolos e de seus colaboradores (diáconos), aos irmãos mais pobres é um gesto livre e não imposto, sinal de uma fraternidade mais exigente que a do sangue, de uma atenção especial aos "pobres", aos quais é anunciado prioritariamente o reino de Deus. A koinonia, fruto do Espírito, é a realização do único mandamento do amor (2ª leitura), testemunho da novidade de vida e da expectativa dos últimos tempos.

Utopia Cristã?

O caráter radical da proposta de Lucas, que evoca o "paradoxo" de muitas parábolas do evangelho, não condena nem propõe um determinado sistema econômico ou social, não louva o pauperismo ou o paternalismo mas introduz uma nova dimensão de "utopia" cristã, à qual são particularmente sensíveis muitos grupos eclesiais, as comunidades de base, as comunidades religiosas renovadas.

Esses cristãos compreendem que não se trata apenas de partilhar os bens materiais, mas de pô-los em comum, e de colocar a disposição dos outros os bens da cultura, do lazer, da contemplação e da liturgia.

Caminhar junto com os "pobres"

O tema da comunhão dos bens na comunidade cristã está relacionado com o da pobreza dentro da Igreja e da comunidade.

O Concílio polarizou a atenção sobre a "Igreja dos pobres" e sobre uma "Igreja pobre", e sobre as opções que essa Igreja deve fazer no mundo contemporâneo. Pobreza da Igreja, pobreza de todo cristão.

"É necessário que cada um de nós se interrogue sobre seu comportamento no uso dos bens econômicos, tendo presentes as suas próprias necessidades e as da família na vida de todos os dias, e ao mesmo tempo atendendo às necessidades dos outros.

Pobreza significa não pôr a esperança nos bens que, embora necessários à vida, são instrumentos para realizar valores mais elevados e dignos do homem; não encarar o bem-estar como objetivo supremo da existência. O espírito de pobreza induz o cristão a opções de vida que o aproximam dos irmãos mais pobres e o tornam semelhante a eles, numa solidariedade que é testemunho evangélico de fraternidade. Próximo dos mais pobres, o cristão se sente comprometido a denunciar profeticamente as injustiças de uma sociedade que, enquanto permite a minorias privilegiadas o uso e o abuso do poder e uma grande porção de bens econômicos e culturais, impede a muitos de seus membros de realizar as condições indispensáveis a uma existência digna do homem.

Ultrapassando a retórica

Paralelamente à denúncia do abuso do dinheiro e do poder, devemos também denunciar o consumismo com que se explica uma outra forma imoral de poder, disfarçado, mas não menos deletério, que em lugar de buscar a vantagem do homem, propondo-lhe o que verdadeiramente favorece as suas necessidades reais e seu desenvolvimento, busca unicamente explorá-lo em beneficio da produção e do capital, atentando contra sua liberdade e minando suas estruturas propriamente humanas" (Card. M. Pellegrino: Camminare insieme).

É um convite, que a comunidade cristã deve acolher, a um severo exame de consciência que leve a esforços concretos, não eivados de um certo verbalismo que tem feito da pobreza uma nova retórica altiva e que distancia.

Fonte: Missal Dominical (Paulus)

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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  
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