Primeira Leitura: At 4,8-12- Salmo 117,1.8-9.21-23.26.28cd.29
(R. 22) - Segunda Leitura: 1Jo 3,1-2 - Evangelho: Jo 10,11-18
No nome de Jesus Cristo está a salvação
O mediador único da salvação é Jesus de Nazaré. Todos os
outros títulos só servem para qualificar o Nome de Jesus, "Deus
salva". Deus salva a humanidade no homem Jesus, em quem se encontram a
total disponibilidade e fidelidade da criatura com a "benevolência" e
o amor do Criador e Pai. A pessoa (o nome) do Homem-Deus, perfeito acabamento
da salvação, traz em si o apelo à plenitude de vida e de amor que todo homem
deseja, e a resposta, isto é, o cumprimento. Só que cada um identifica a
salvação, categoria extremamente ampla e polivalente, com realidades diversas,
próximas e concretas (a saúde, um bom êxito) ou mais gerais ou ''espirituais''
(a felicidade, a paz do espírito).
Salvação que completa
Uma salvação de ordem religiosa está, em geral, fora das
perspectivas, e deve ser "revelada" partindo das expectativas humanas
e servindo-se das realidades acessíveis, que se tornam "sinal" das
transcendentes (a cura do aleijado que precede a 1ª leitura de hoje é disso um
exemplo). Ou seja: a salvação que nos é oferecida em nome de Jesus é
"pascal", consiste numa passagem e numa superação: corrige o que está
errado, completa o que é falho, transcende o que é justo. A Igreja faz sua e
propõe a salvação em Jesus e em nenhum outro; isto significa que não pode
encontrar em si mesma ou em qualquer outra potência humana sua força, mas
somente no poder do Senhor ressuscitado. A salvação que ela propõe em nome de
Jesus dirige-se ao homem todo, os auxílios à indigência, ao desespero, à
ignorância dos homens não têm mais do que uma função supletiva. No entanto,
mesmo isso é feito no nome de Jesus e cada cristão se esforça por fazê-lo,
levado por uma visão de fé e por um sentido de participação real na pobreza do
próximo. Revelam assim quem é que os envia. Mas, assim como seria inaceitável
usar a religião como instrumento, também seria mutilado um cristianismo que não
fizesse referência explícita ao único Salvador.
Entre presunção e desespero
A exigência da "salvação" se faz sentir hoje com
urgência em toda a nossa civilização. Depois dos otimismos exuberantes do
século passado, que viam na ciência, então em seus primeiros passos, uma
promessa de salvação para todos os males do homem, nossos contemporâneos se
tornaram mais cautelosos.
A ciência, como aliás todas as realidades humanas, revelaram
sua face ambígua. Ainda hoje existem os que esperam a salvação da ciência, da
economia, da técnica, da projeção estatística e da "futurologia". Mas
seu número é cada vez mais escasso, seu otimismo cada vez mais condicionado.
Todos os humanismos ateus insistem unicamente no homem e em seu esforço por
obter a salvação. Mas sua atitude termina em dois estados de espírito: a
presunção ou o desespero.
A presunção de Prometeu, que escala os céus e desafia os
deuses, arrebatando-lhes o fogo sagrado. O desespero de Sísifo, que considera
inútil sua longa fadiga, vão seu esforço. E então se esgota num cinismo cético
e pessimista, renunciando à esperança.
Viver o mistério pascal de Cristo
O cristão sabe que só há salvação em Cristo. Ele é o único
Salvador. Em nenhum outro e em nada mais há salvação: nem na ciência nem na
técnica, na economia ou na arte. Somente em Cristo. E não é uma salvação
parcial, puramente "espiritual". Atinge o homem em sua globalidade,
liberta-o e salva-o interiormente para que se possa libertar e salvar também em
todas as outras dimensões de seu ser, individual e social. Salvação do homem
todo. Salvação de todos os homens. Salvação que tem sua garantia de êxito na
Páscoa do Senhor. O Vaticano II diz que os sacerdotes, para iniciar o povo na
vivência do Mistério Pascal de Cristo, devem aprender a procurá-lo na meditação
fiel da Palavra de Deus, na participação ativa dos mistérios da Igreja, no
bispo e especialmente nos pobres, pequeninos, enfermos, pecadores e incrédulos.
(cf OT 8)
Fonte: Missal Dominical (Paulus)
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e
Marta Lúcia
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