Primeira Leitura: At 9,26-31 - Salmo 21,26b-27.28.30.31-32
(R. 26a) - Segunda Leitura: 1Jo 3,18-24 - Evangelho: Jo 15,1-8
Crescimento e tensões na Igreja primitiva
A situação das primeiras comunidades cristãs é exemplar para
se compreender as tensões da Igreja em nosso tempo; esta é a capacidade
atualizadora da palavra de Deus.
A comunidade de Jerusalém, a primeira a ser formada de modo
estável, com sua organização em torno dos apóstolos, tende a se tornar
prevalentemente a guardiã das tradições, a fechar-se em si mesma e a olhar com
suspeitas para quem que modifique as fórmulas doutrinais e a praxe habitual.
Nesse caso, o peso da história obscurece o mandato missionário do Senhor
ressuscitado e sua abertura a todas as nações pagãs, o dinamismo do diálogo com
todas as culturas, particularmente com a helenista, difundindo na bacia
mediterrânea, a capacidade de rejuvenescimento que provém da perene novidade do
Ressuscitado.
A esses aspectos eram mais sensíveis às comunidades nascidas
em ambientes pagãs que, como já hebreus de diáspora, eram obrigados a dar razão
de sua fé a si e outros. Em lugar de esperar que venham os pagãos, são eles,
instintiva e deliberadamente, missionários.
Uma vinha enxertada num único tronco
Paulo se apresenta como o pregador mais autorizado em todas
essas circunstâncias. Mas antes de formular doutrinalmente conceitos
amadurecidos em muitos anos de atividade missionária, ele sente a necessidade
de se fazer aceitar pela Igreja-mãe de Jerusalém e ver reconhecida sua
investidura carismática para o apostolado, afim de que, mesmo visivelmente,
seja manifestada a comunhão com os irmãos que viveram com o Senhor e são as
testemunhas privilegiadas da sua ressurreição.
Mas ao decorrer da história mostra que, com a morte desses
discípulos que viram o Senhor na carne, e com a destruição de Jerusalém e a
consequente dispersão da comunidade cristã, o centro dinâmico das comunidades é
o Senhor ressuscitado. E as comunidades cristãs de toda a face da terra
constituem seu corpo que cresce e se edifica na caridade. Mas ele quis um centro
visível de referência e de unidade, tão importante e tão relativo quanto a
Igreja de Jerusalém: é a Igreja de Roma.
Diversas Igrejas, mas uma única Igreja
Ela possui seus modelos de organização e pensamento,
característicos da cultura em que se inseriu e que também transformou. Mas não
os impõe às igrejas locais que, encarnadas num país e numa cultura, devem
encontrar sua fisionomia própria para anuncia a única mensagem em todas as línguas.
O trecho evangélico de hoje põe em evidencia a tensão de
crescimento da Igreja; ela é a nova vinha que substitui a antiga: o povo de
Israel, que frequentemente no Antigo Testamento é indicado por esta alegoria. A
nova vinha nasce de um único tronco, Cristo Jesus, mas está destinada a cobrir
toda a terra com seus frutos. Seu crescimento não é fácil; ela é maltratada por
repentinas fases de seca, de geada e dolorosas podas, mas não podem faltar os
frutos nos sarmentos inseridos na videira fundamental.
Unidade no pluralismo
Todo crescimento é sempre acompanhado de tensões, de
desequilíbrios. Tanto no campo fisiológico, como social, no político, no
religioso. As tensões que a Igreja atravessa hoje podem revelar-se fecundas e
construtivas, contanto que sejam vistas no amor, sem ressentimentos, sem novos
integrismos.
“As tensões atuais se tornam ilegítimas quando se
transformam em sectarismos. O mesmo ardor que os cristãos põem na luta contra
todas as discriminações raciais, étnicas, ideológicas, nacionais, deveria ser
empregado para evitá-la no âmbito do povo de Deus. Infelizmente sabemos que
isso não se dá. A intolerância e a excomunhão recíproca se intensificam, muito
frequentemente, como se intensificam as rejeições, práticas ou sistemáticas, de
comunhão com outros irmãos católicos que não partilham a mesma opção política
ou que não pertencem à mesma categoria social ou cultural. Esta contradição
entre o comportamento interior e o exterior dos católicos deve ser eliminada,
sob pena de falsidade, de contratestemunho e de ineficácia”. (M. Roy)
Falamos muito de pluralismo, mas ainda não compreendemos que
o pluralismo é mais difícil que a unidade monolítica, exige maior maturidade,
maior capacidade de diálogo, mais respeito e amor. Por isso mesmo é mais
fecundo.
Fonte: Missal Dominical (Paulus)
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e
Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a
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Tensões não significam cisma, não significam apostasia, nem separação. É necessário que se reconheça erro. Paulo que demonstrou maravilhosa transformação entendendo o plano do Senhor de incluir os gentios, foi influenciado pela sua cultura imaginando que o "goy" seria um filho "adotivo". Daí a sua tese de adoção filial que está influenciando toda a Igreja nas suas manifestações e comentários. Jesus NÃO considerou a nós como "enxertados" na videira. Nós não somos filhos adotivos.
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