Primeira Leitura: At 10,25-26.34-35.44-48 - Salmo 97,1.2-3ab.3cd-4
(R. cf. 2b) - Segunda Leitura: 1Jo 4,7-10 - Evangelho: Jo 15,9-17
Deus não faz acepção de pessoas
A passagem da formulação teórica para uma concepção prática,
encarnada numa situação concreta, produz certo impacto, porque transtorna
hábitos e comportamentos. Então, como Pedro (1ª leitura), começa-se a perceber
as coisas em verdade, superando o dualismo entre a tranquila aceitação
intelectual e a inquietante experiência viva.
A liberdade religiosa
A Igreja de hoje afirmou solenemente em vários documentos
conciliares o respeito pela crença religiosa (e pelo próprio ateísmo) de todos,
o repúdio de "qualquer discriminação... por motivos de religião"
(Nostra Aetate 5), e o significado positivo das diversas religiões do mundo
como imperfeita revelação do Deus verdadeiro, destinadas, pois, a uma plenitude,
mas já um efetivo bem espiritual, moral, sociocultural de um povo. Com isto,
porém, não cessaram intolerância, discriminações, desconfianças e incompreensões
em nível prático e cotidiano (propostas de trabalho, opções políticas, juízos
globais sobre pessoas por causa de seu credo religioso, real ou presumido) ou
atitudes de superioridade.
A distinção não está mais no campo do sagrado (ou do culto),
mas no do amor fraterno ou do esforço pela libertação do homem. O serviço dos
outros pode realmente constituir linguagem "religiosa" básica, que
acentua o que é comum entre todos os que acolhem Cristo nos pequenos e nos
pobres, mesmo sem conhecer sua face. É próprio da liberdade do Espírito
suscitamos não-cristãos as "maravilhas de Deus". A explícita
profissão de fé no Senhor Jesus, o batismo e a pertença visível à Igreja devem
mostrar-lhes o objeto de sua busca e o termo de sua aventura espiritual,
fazendoos sentir-se em sua casa, no seio da família de que virtualmente fazem
parte, até que conheçam o Deus de Jesus Cristo.
Nossa fé é livre
O espírito de gueto, o neo-sectarismo, a exclusão de tudo o
que não apresenta bem visível a etiqueta cristã é uma das tentações permanentes
do cristão. Não somos fáceis para o diálogo com os que trabalham pela
libertação do homem fora da área cristã. O cristianismo verdadeiro sabe
derrubar barreiras e muros de separação, sob o impulso do Espírito. "Em
qualquer nação, quem teme a Deus e pratica a justiça, lhe é agradável" (1ª
leitura). Deus não considera tendências políticas ou partidaristas;
interessa-se por quem leva a peito a sorte dos homens.
A Igreja abriu claramente as fronteiras a todos os homens
estabelecendo relações com cada individuo e com os diversos povos,
independentemente de seu credo religioso, e fazendo da liberdade de consciência
o fundamento de todo diálogo e de toda evangelização. "A pessoa humana tem
direito à liberdade religiosa. Essa liberdade significa que todos os seres
humanos não podem sofrer coação por parte de indivíduo algum, de grupos sociais
ou de qualquer potência humana; de modo que, em matéria religiosa, ninguém seja
forçado a agir contra sua consciência nem seja impedido, dentro dos devidos
limites, de agir em conformidade com ela: privada ou publicamente, em forma
individual ou social". (DH2)
Deus vê o coração do homem
A Igreja não só quis para si o inalienável direito à
liberdade religiosa; fundando-o sobre a dignidade da pessoa humana, subtraiu-o
a toda esfera pública, de qualquer tipo que seja; isso significa que, para os
que creem em religiões não cristãs, para os ateus, os agnósticos, os
indiferentes, os céticos, é valido o mesmo sistema de imunidade das coações por
parte da autoridade pública, mesmo no caso de professarem publicamente ou
fazerem obras de propaganda em favor de suas ideias. A Igreja aceitou lealmente
renunciar a uma situação de cristandade da qual estava excluído o pluralismo.
Sem optar absolutamente por um liberalismo doutrinal que
pretenda a igualdade de todas as religiões, sem renunciar a evangelizar, mas
recusando identificar apostolado e cruzada, a Igreja reconhece no pluralismo da
sociedade moderna uma situação que não se opõe ao evangelho.
O Concílio fala explicitamente da necessidade, para o homem,
de uma "liberdade psicológica", além de "imunidade de coação
externa". E isto é afirmado para impedir métodos contrários à liberdade e
à responsabilidade humana, como seriam intimidações, lavagens de cérebro,
persuasões ocultas, torturas físicas e psíquicas, que tolhem ao individuo o
domínio das próprias faculdades, a liberdade de opção e o senso de
responsabilidade das próprias decisões.
Também os responsáveis pelos grandes órgãos de informação
(imprensa, televisão, cinema) estão obrigados ao fundamental respeito da
consciência humana. É a própria verdade que o exige.
Fonte: Missal Dominical (Paulus)
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e
Marta Lúcia
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