domingo, 10 de maio de 2015

6º Domingo da Páscoa “B”: Deus não faz acepção de pessoas

Primeira Leitura: At 10,25-26.34-35.44-48 - Salmo 97,1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b) - Segunda Leitura: 1Jo 4,7-10 - Evangelho: Jo 15,9-17

Deus não faz acepção de pessoas

A passagem da formulação teórica para uma concepção prática, encarnada numa situação concreta, produz certo impacto, porque transtorna hábitos e comportamentos. Então, como Pedro (1ª leitura), começa-se a perceber as coisas em verdade, superando o dualismo entre a tranquila aceitação intelectual e a inquietante experiência viva. 

A liberdade religiosa

A Igreja de hoje afirmou solenemente em vários documentos conciliares o respeito pela crença religiosa (e pelo próprio ateísmo) de todos, o repúdio de "qualquer discriminação... por motivos de religião" (Nostra Aetate 5), e o significado positivo das diversas religiões do mundo como imperfeita revelação do Deus verdadeiro, destinadas, pois, a uma plenitude, mas já um efetivo bem espiritual, moral, sociocultural de um povo. Com isto, porém, não cessaram intolerância, discriminações, desconfianças e incompreensões em nível prático e cotidiano (propostas de trabalho, opções políticas, juízos globais sobre pessoas por causa de seu credo religioso, real ou presumido) ou atitudes de superioridade.

A distinção não está mais no campo do sagrado (ou do culto), mas no do amor fraterno ou do esforço pela libertação do homem. O serviço dos outros pode realmente constituir linguagem "religiosa" básica, que acentua o que é comum entre todos os que acolhem Cristo nos pequenos e nos pobres, mesmo sem conhecer sua face. É próprio da liberdade do Espírito suscitamos não-cristãos as "maravilhas de Deus". A explícita profissão de fé no Senhor Jesus, o batismo e a pertença visível à Igreja devem mostrar-lhes o objeto de sua busca e o termo de sua aventura espiritual, fazendo­os sentir-se em sua casa, no seio da família de que virtualmente fazem parte, até que conheçam o Deus de Jesus Cristo.

Nossa fé é livre

O espírito de gueto, o neo-sectarismo, a exclusão de tudo o que não apresenta bem visível a etiqueta cristã é uma das tentações permanentes do cristão. Não somos fáceis para o diálogo com os que trabalham pela libertação do homem fora da área cristã. O cristianismo verdadeiro sabe derrubar barreiras e muros de separação, sob o impulso do Espírito. "Em qualquer nação, quem teme a Deus e pratica a justiça, lhe é agradável" (1ª leitura). Deus não considera tendências políticas ou partidaristas; interessa-se por quem leva a peito a sorte dos homens.

A Igreja abriu claramente as fronteiras a todos os homens estabelecendo relações com cada individuo e com os diversos povos, independentemente de seu credo religioso, e fazendo da liberdade de consciência o fundamento de todo diálogo e de toda evangelização. "A pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Essa liberdade significa que todos os seres humanos não podem sofrer coação por parte de indivíduo algum, de grupos sociais ou de qualquer potência humana; de modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra sua consciência nem seja impedido, dentro dos devidos limites, de agir em conformidade com ela: privada ou publicamente, em forma individual ou social". (DH2)

Deus vê o coração do homem

A Igreja não só quis para si o inalienável direito à liberdade religiosa; fundando-o sobre a dignidade da pessoa humana, subtraiu-o a toda esfera pública, de qualquer tipo que seja; isso significa que, para os que creem em religiões não cristãs, para os ateus, os agnósticos, os indiferentes, os céticos, é valido o mesmo sistema de imunidade das coações por parte da autoridade pública, mesmo no caso de professarem publicamente ou fazerem obras de propaganda em favor de suas ideias. A Igreja aceitou lealmente renunciar a uma situação de cristandade da qual estava excluído o pluralismo.

Sem optar absolutamente por um liberalismo doutrinal que pretenda a igualdade de todas as religiões, sem renunciar a evangelizar, mas recusando identificar apostolado e cruzada, a Igreja reconhece no pluralismo da sociedade moderna uma situação que não se opõe ao evangelho.

O Concílio fala explicitamente da necessidade, para o homem, de uma "liberdade psicológica", além de "imunidade de coação externa". E isto é afirmado para impedir métodos contrários à liberdade e à responsabilidade humana, como seriam intimidações, lavagens de cérebro, persuasões ocultas, torturas físicas e psíquicas, que tolhem ao individuo o domínio das próprias faculdades, a liberdade de opção e o senso de responsabilidade das próprias decisões.

Também os responsáveis pelos grandes órgãos de informação (imprensa, televisão, cinema) estão obrigados ao fundamental respeito da consciência humana. É a própria verdade que o exige.

Fonte: Missal Dominical (Paulus)

Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  
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