1ª Passo: Tomar um livro espiritual (Novo
Testamento ou Imitação de Cristo) – ler algumas linhas com intervalos – meditar
um pouco no que se leu, procurar entender o seu significado e gravá-lo no
espírito. – Tirar daí qualquer afeto santo, amor ou penitência, etc., e propor
praticar uma virtude que mais agrade. Não ler muito, nem meditar muito. –
Demorar-se em cada pausa, enquanto o espírito nela encontrar entretenimento
agradável e útil.
2ª Passo: Tomar
qualquer expressão da Sagrada Escritura, ou qualquer oração vocal: Pai Nosso,
Ave Maria, Credo, por exemplo, pronunciá-la, demorar-se em cada palavra, tirar
dela diversos sentimentos de piedade, nos quais se demore, enquanto nele se
achar gosto. No fim, pedir a Deus alguma graça ou virtude, conforme o assunto
meditado. Não se demorar numa palavra, quando nela já não se encontrar com que
deleitar-se. Passar serenamente para outra. – Quando se sentir tocado por algum
sentimento bom, demorar-se enquanto ele dura, sem querer passar adiante. Não é
necessário fazer sempre atos novos, basta algumas vezes conservar-se perante
Deus, saboreando em silêncio as palavras já meditadas, ou os sentimentos que elas
produziram no coração.
3ª Passo: Quando o assunto preparado não
fornece entretenimento suficiente, fazer atos de fé, adoração, ação de graças,
esperança, amor, etc., dando-lhes a extensão que se quiser, e demorando-se, um
pouco, em cada um para o saborear.
4ª Passo: Quando não se conseguir meditar, nem
produzir afetos, afirmar diante de Deus que se tem a intenção de fazer tantos
atos de contrição, por exemplo, quantas vezes se respirar, se fizerem passar as
contas de terço entre os dedos ou se pronunciar com a boca qualquer oração
curta. Renovar, de quando em quando, este propósito. Se Deus der outro qualquer
bom sentimento, recebê-lo com humildade e demorar-se nele.
5ª Passo: Nas penas e aridezes, abandonar-se,
generosamente, ao sofrimento sem se inquietar nem fazer esforço para sair dele,
sem fazer outros atos senão este abandono de si mesmo nas mãos de Deus para
sofrer essa provação e todas aquelas que a Ele aprouver. Ou então, unir-se à
Agonia de Nosso Senhor no Horto e ao seu desamparo na Cruz. Persuadindo-se que
nela está cravado com o próprio Salvador e, com o seu exemplo, desejando
conservar-se lá e sofrer até à morte.
6ª Passo: Exame
interior. – Reconhecer as próprias faltas, paixões, fraquezas, enfermidades,
impotência, misérias, nada. – Adorar os juízos de Deus acerca do estado em que
a pessoa se encontra. – Submeter-se à sua santa vontade. – Bendizê-lo,
igualmente, tanto pelos castigos da sua justiça como pelos favores da sua
misericórdia. – Humilhar-se perante a sua suprema Majestade. – Confessar-lhe,
sinceramente, as nossas infidelidades e pecados, e pedir-lhe perdão. – Detestar
todo o mal que se fez e propor corrigir-se para o futuro. Esta oração é livre e
recebe toda a espécie de afetos; pode-se fazer em qualquer ocasião, sobretudo,
após uma queda inesperada, para se submeter aos castigos da justiça de Deus, ou
após o embaraço da ação, para voltar ao recolhimento.
7ª Passo: Meditação
sobre os fins últimos. Considerar-se na agonia, entre o tempo e a eternidade –
entre a vida passada e o julgamento de Deus. – Que queria ter feito? – Como
queria ter vivido? – Recordar-se dos pecados, desregramentos, abuso das graças.
– Lamentar o mal feito. Propor remediar o que cause motivos de temor.
Imaginar-se no cemitério, esquecido e todos, – diante do Tribunal de Jesus
Cristo, no Purgatório, no Inferno. Quanto mais viva for a representação, tanto
mais proveitosa a meditação. É necessária esta morte mística para descarnar a
alma e ressuscitá-la, isto é, libertá-la da corrupção do vício. É preciso
passar por este purgatório para se chegar ao gozo de Deus nesta vida.
8ª Passo: Aplicação
do espírito a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Saudar Nosso Senhor, com
todo o respeito que a presença real exige, unir-se a Ele e a todas as suas
divinas operações na eucaristia, onde, como Vítima, não cessa de adorar, louvar
e amar o Pai, em nome de todos os homens. Pensar no seu recolhimento, vida
oculta, obediência, humilde, etc. – Excitar o desejo dessas virtudes. Oferecer Jesus Cristo ao Pai Eterno, como única
vítima digna d’Ele, e pela qual podemos render-lhe homenagem, reconhecer os
seus benefícios, satisfazer a sua justiça e obter misericórdia. Oferecer-se a
si mesmo para lhe sacrificar o ser, vida, empregos. Apresentar-lhe um ato de
virtude que se proponha fazer, uma mortificação a praticar, pelos mesmos fins
pelos quais Nosso Senhor se imola no Santíssimo Sacramento. – Fazer esta
oblação com um desejo ardente de aumentar, tanto quanto se for capaz, a glória
que Ele presta a seu Pai neste augusto mistério. Terminar fazendo a comunhão
espiritual. Tornar freqüentes estas visitas, porque a nossa felicidade nesta
vida depende da nossa união a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.
9ª Passo: Faz-se em nome de Jesus Cristo. – Aumenta a nossa
confiança em Deus e faz-nos entrar no espírito e nos sentimentos de Nosso
Senhor. Funda-se na nossa aliança com o Filho de Deus, em sermos seus irmãos,
membros do seu corpo místico; no fato de Ele nos ceder todos os seus méritos e
nos legar todas as recompensas que o seu Pai lhe deve pelos seus trabalhos e
morte. É isto que nos torna capazes de honrar a Deus com um culto digno de Deus
e nos dá o direito de tratar com Deus e de exigir, de algum modo, as suas
graças como por justiça. – Não temos esse direito como criaturas, menos ainda
como pecadores, porque há desproporção infinita entre Deus e a criatura e
oposição infinita entre Deus e o pecador. Mas na qualidade de aliados do Verbo
Encarnado, de seus irmãos, de seus membros, podemos aparecer diante de Deus com
confiança, tratar familiarmente com Ele e obrigá-lo a escutar-nos,
favoravelmente, a ouvir as nossas súplicas e a conceder-nos as suas graças,
devido à aliança e à união que temos com o seu filho. Portanto, aparecer
perante Deus, para O adorar, amar, ou louvar, por intermédio de Jesus Cristo,
operando em nós como a Cabeça nos seus membros e elevando-nos, pelo seu
espírito, a um estado todo divino; ou para pedir qualquer favor, em virtude dos
méritos do seu Filho. E, com este fim, apresentar-lhe os serviços que o seu
Filho lhe prestou, a sua vida, a sua morte, os seus sofrimentos.
10ª Passo: Simples
atenção à presença de Deus e meditação. Antes de se aplicar em meditar o
assunto preparado, pôr-se na presença de Deus, afastando qualquer pensamento
distinto, e excitando o respeito e amor a Deus que a sua presença inspira. –
Conservar-se, assim, diante de Deus, em silêncio, neste simples repouso de
espírito enquanto nele se encontrar gosto. – Em seguida, meditar segundo a
maneira ordinária. Bom é começar, assim, todas as meditações, e útil o fazê-lo
depois de cada ponto. – Repousar nesta simples atenção a Deus ajuda a
estabelecer o recolhimento interior. – O espírito fixa-se em Deus e prepara-se
para a contemplação. – Mas não se deve conservar assim por pura preguiça e para
não se ter o trabalho de meditar.
Fonte: Assoc. Apostolado do Sagrado Coração de
Jesus
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada
Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o
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