Primeira Leitura: Êx. 16,2-4.12-15 - Sl
77(78),3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b) - Segunda Leitura: Ef 4,17.20-24 - Evangelho Jo
6,24-35
O olhar da fé
O episódio das codornizes, que, provenientes do norte,
descem no Sinai a fim de repousar em sua migração para o sul, pode ser
inteiramente natural; mas naquele momento crítico de Israel no deserto assume
um significado providencial. O mesmo se poderia dizer do maná, que, segundo
alguns comentadores, seria uma tamargueira com sementes de alto valor
nutritivo. De qualquer modo, não importa definir-lhe a natureza, mas apreender
seu significado religioso.
É a visão religiosa dos fatos que faz Moisés dizer: "Eis
que vou fazer chover pão do céu para vós" (versículo 16); "É o pão
que o Senhor vos dá como alimento". A interpretação do seu nome: "Que
é isto?"
A certeza de ter Deus conosco
O fundo religioso do relato concerne à certeza adquirida
pelo povo de uma intervenção especial de Deus. Naquela situação difícil, dá-se
um fenômeno no qual eles veem um sinal da presença de Deus destinada a confortá-los.
Diante da condição de precariedade em que se encontra no
deserto, o povo incrédulo como que desafia Deus a agir e manifestar-se:
"Javé está ou não no meio de nós?" (Ex 17,7): Deus lhe responde
manifestando seu poder com o dom do maná, entre outros. O maná, por sua vez, é
uma interpelação de Deus a seu povo, para educá-lo, pondo-¬o à prova:
"...para ver se anda segundo a minha lei ou não" (v. 4). Dando-lhe
este meio de subsistência. Deus, de fato, lhe faz notar sua presença eficaz,
mas convida o homem a não contar só com alimentos terrenos, que, como o maná,
depois de algum tempo, cansam e se tomam insípidos. Há outro alimento
misterioso que vem do céu, do qual o maná é símbolo: a palavra de Deus (Dt
8,25).
Cristo, no deserto, confirma e acentua o ensinamento já
presente no Antigo Testamento: "Não só de pão vive o homem, mas de toda
palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,1-4), e renova essa doutrina
alimentando o povo de Deus com um pão miraculoso (evangelho). O pão que Jesus
dá é o "Pão de vida". No evangelho de João, esta expressão está
ligada à árvore da vida do paraíso, símbolo da imortalidade, da qual o homem foi
privado pelo pecado. O maná do deserto não era capaz de restituir essa
imortalidade, mas Jesus a concede em resposta à fé. No pão de vida há, pois,
uma figura escatológica: Jesus é a verdadeira vida imortal para a qual o homem
tende desde o princípio, e que agora se lhe torna possível e acessível pela fé.
Mas não só com a fé; é necessário um pão concreto que exigirá uma real
manducação e que nos unirá assim ao mistério da cruz.
O significado dos milagres
Provavelmente, o aspecto maravilhoso das intervenções de
Deus no deserto do Sinai deixa surpreso o homem moderno, que não crê muito na
intervenção imediata de Deus no curso dos acontecimentos. Pelo menos, cristãos
e não-cristãos estão de acordo em não buscar mais Deus só no miraculoso, mas em
descobri-lo no centro da promoção do homem; não na superfície ou no invólucro
das coisas e dos acontecimentos, mas no Intimo do dinamismo da história.
Os próprios milagres só são sinais compreensíveis através da
fé. Como Jesus só é aceito em sua realidade pela fé e na fé, também os milagres
só são compreendidos em sua realidade (sinais de um mundo novo) através da fé.
O tema central das duas leituras analisadas (1ª leitura e
evangelho) é, pois, a fé, mas a fé vista numa perspectiva diversa da do domingo
precedente. Ali, a fé era como que o resultado do sinal dado por Jesus,
enquanto aqui, é a sua premissa. Lá, Jesus faz o milagre para suscitar a fé;
aqui, Jesus diz que o milagre não pode ser crido e aceito sem a fé. Não há
contradição; trata-se de dois aspectos complementares da fé, como docilidade a
Deus, e como adesão à sua pessoa.
Fonte: Missal Dominical (Paulus)
Fique com Deus e
sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a
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