domingo, 9 de agosto de 2015

19º Domingo Comum Ano “B” Marcos - Jesus, pão da vida

Primeira Leitura: 1Rs 19,4-8 - Sl 33,2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a) - Segunda Leitura: Ef 4,30-5,2 - Evangelho: Jo 6,24-35

Jesus, pão da vida

Os sinais da presença de Deus ao lado de seu povo em caminho no deserto foram especialmente dois: o pão vindo do céu (maná) e a água que jorrou da rocha; são também os sinais através dos quais Deus faz sentir sua presença eficaz ao seu fiel profeta (1ª leitura). Jesus, sacramento vivo do Pai no meio dos homens, deixa um sinal que indica não só a presença, mas a sua eficácia. 

Em Cristo a plenitude de vida do homem

No capitulo 6 de João é possível distinguir uma dupla perspectiva: a dos ouvintes diretos de Jesus, para os quais o discurso fala sobretudo da fé e do acolhimento de Jesus, verdadeiro pão do céu, e a dos contemporâneos do evangelista, para quem o discurso de Jesus tem um evidente significado eucarístico.

João escreve depois de ter vivido a primeira experiência das comunidades cristãs; depois, portanto, que já se estabelecera entre os primeiros fiéis o hábito de reunir-se para celebrar a ceia eucarística. Sua perspectiva já é, pois, um reflexo de uma prática sacramental em uso; é claro então que as palavras e os acontecimentos da vida de Jesus são lidos com uma plenitude e riqueza de perspectivas que não eram possíveis no dia em que os apóstolos ouviram falar pela primeira vez de pão de vida.

O v. 35: "Eu sou o pão da vida" nos faz pensar imediatamente na eucaristia. Além disso "o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo", com sua profunda semelhança com Lc 22,19 ("isto é o meu corpo que é dado por vós") tem toda a aparência de ser a forma da instituição eucarística própria de João. No relato de João, a fé em Jesus está sempre em primeiro plano, mas ela é agora vista em relação com os sinais através dos quais se torna visível. Fé e sacramentos da fé são de agora em diante inseparáveis. A fé exige o sacramento e o sacramento é incompreensível independentemente da fé.

No centro está o tema da "vida", isto é, o tema da realização plena do homem. Cristo veio realizar esta vida: é a própria vida do seu Pai, vida plena do Pai, vida eterna, sem fim. O homem a busca, mas não consegue encontrá-la cu só a encontra "provisoriamente", e só sacia sua fome por momentos.

Só Cristo pode saciar "totalmente", porque "este é o pão que desce do céu". Quem dele come não morre.

Um pão que é carne

O pão eucarístico segue as leis do pão doméstico, oferecido pelo pai de família aos seus. O pão adquire sentido porque alguém o fabricou, alguém o comprou, alguém o comerá. Os pais ganham o pão, o alimento, a roupa, com o próprio trabalho. Eles são pão de vida para seus filhos, não só porque lhes deram a vida, mas porque, de certo modo, os filhos continuamente "alimentam-se" dos pais. Dando o pão, fruto de seu trabalho, o pai e a mãe podem, de certo modo, dizer: "Este pão é a minha carne dada por meus filhos", enquanto os comensais que participam deste pão, participam, de certa maneira, da própria vida de quem lho dá.

Se pais e filhos podem dar ao pão um significado tão profundo, por que Jesus não poderia dar ao pão um significado e uma realidade totalmente nova, proporcional à profundidade de todo o seu ser, e dele fazer assim a participação da sua vida com o Pai e o sinal eficaz da sua íntima presença e comunhão com os que nele creem?

A experiência serena da refeição familiar e a descoberta dos profundos significados humanos ocultos nas expressões e nos gestos cotidianos que a família faz, quando se senta à mesa, são o caminho mais simples, e catequeticamente mais válido, para introduzir a uma compreensão rica e autêntica da eucaristia.

"No ápice desta ação educativa está a preocupação de dispor os fiéis a fazer do mistério eucarístico a fonte e o cume de toda a vida cristã. Todo o bem espiritual da Igreja está encerrado na eucaristia, onde Cristo, nossa Páscoa, está presente e dá vida aos homens, convidando-os e induzindo­-os a oferecer-se com ele e em sua memória, para a salvação do mundo". (RdC 46)

Fonte: Missal Dominical (Paulus)

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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  
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