Festa: TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
Prefácio próprio - Ofício festivo próprio - Glória
Cor: Branco - Ano Litúrgico “B” - São Marcos
Antífona: Mateus 17,5 - O Espírito Santo apareceu na nuvem luminosa e a voz do Pai se fez ouvir: Este é meu Filho amado, nele depositei todo o meu amor. Escutai-o.
Oração do Dia: Ó Deus, que na gloriosa Transfiguração de vosso Filho confirmastes os mistérios da fé pelo testemunho de Moisés e Elias, e manifestastes de modo admirável a nossa glória de filhos adotivos, concedei aos vossos servos e servas ouvir a voz do vosso Filho amado, e compartilhar da sua herança. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!
Primeira Leitura: Profecia de Daniel 7,9-10.13-14
Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos.
Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho do homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá. - Palavra do Senhor.
Comentário: O livro de Daniel surgiu num tempo de muitas dificuldades para o povo de Deus: trata-se do período dos Macabeus (II século a.C.), quando os judeus eram oprimidos pela dominação selêucida De Antíoco IV Epífanes. O livro quer mostrar, portanto, o conflito entre o povo de Deus e o imperialismo, para daí tirar importantes lições. O autor emprega uma linguagem que para nós parece muito estranha, pois é cheia de símbolos, imagens e figuras cuja compreensão não atingimos à primeira vista. Trata-se de um modo de escrever chamado apocalíptico, próprio para tempos difíceis. Esse gênero literário nasceu praticamente com Daniel, e estava muito em voga na época do Novo Testamento. Trata-se de uma comunicação alternativa, compreendida e assimilada somente por quem sofre na pele as consequências da opressão. O principal objetivo desse modo de escrever é animar as comunidades para a resistência diante dos poderes tiranos, como o imperialismo selêucida. O capítulo 7 de Daniel apresenta a visão das quatro feras. São forças opressoras, presentes na história, em luta contra o projeto de Deus e contra o povo que ele escolheu para realizar esse projeto. As feras são personificações dos grandes impérios que oprimiram o povo de Deus desde os babilônios até Antíoco IV Epífanes, a quarta fera (175-164 a.C.). Antíoco é apresentado como a mais arrogante das quatro feras, pois no seu tempo impôs aos judeus a cultura grega, perseguindo e matando os que se mantivessem fiéis ao projeto de Javé. Em meio a essa história cheia de conflitos, Daniel vê um Ancião de roupas e cabelos brancos sentar-se num trono (v. 9ab). Está cercado por multidões de anjos, os mediadores de sua ação na história (v. 10). Esse Ancião é o próprio Deus, o Senhor da Vida (roupas e cabelos brancos) e da História (sentado no trono). Ele julga sem que alguém possa distorcer seu julgamento (“Seu trono eram chamas de fogo com rodas de fogo ardente. Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele”, vv. 9c-l0a). A descrição dos vv. 9-10 serve de alerta para o povo oprimido. Mostram, ao mesmo tempo, que Deus está agindo na história, tomando partido, julgando e destruindo as feras que devoram o projeto de liberdade e vida: “O tribunal tomou assento e os livros foram abertos” (v. l0b). Os vv. 13-14 mostram como o julgamento de Deus se faz presente na história: “Contemplei em visões noturnas, e vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, alguém semelhante a um filho de homem; ele avançou até junto do Ancião, ao qual foi apresentado” (v. 13). O filho do homem é personagem simbólica. A explicação da visão vai mostrar que se trata do povo de Deus que, por causa de sua fidelidade, está sendo perseguido e morto pelas “feras” que agiram e agem na história. Esse povo se encontra diante do juiz da história (Deus), gozando de sua intimidade e proteção. E o Ancião lhe confere o que ele próprio possui: domínio, poder e realeza, e todos os povos, nações e línguas deverão servi-lo (v. 14a). Em outras palavras, o julgamento de Deus sobre as feras da terra se realiza mediante a fidelidade e resistência do povo fiel. Deus confia seu projeto a esse povo perseguido, caçado e morto pelos poderes absolutizados. É a leitura da história feita sob a ótica da fé que privilegia os oprimidos enquanto depositários das promessas, expectativas e realeza divinas. É assim que Javé julga a humanidade: posicionando-se junto aos oprimidos e confiando-lhes seu projeto, vencendo com eles os poderes que geram e patrocinam a morte. O texto de hoje termina afirmando que o domínio do filho do homem (povo de Deus) é eterno e não acabará, seu reino jamais será destruído (v. 14b). Com o passar do tempo, o conceito de reino foi associado à pessoa do rei. Desse modo, o que em Daniel se referia à história presente do povo de Deus, acabou sendo transferido para o Messias que deveria vir. Foi assim que o Novo Testamento releu essa passagem (razão pela qual este texto foi escolhido pela Liturgia). Isso, contudo, não nos impede de seguir a interpretação do livro de Daniel: o filho do homem é o povo de Deus, a quem foi confiado o projeto de liberdade e vida em meio às perseguições que as feras de ontem e de hoje suscitam contra os que se mantêm fiéis. (Vida Pastoral nº 249 Paulus 2006)
Salmo: 96(97),1-2.5-6.9 (R. 1a.9a) Deus é Rei, é o altíssimo, muito acima do universo.
Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.
As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.
Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 9,2-10
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.
Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si, o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. - Palavra da Salvação.
Comentários:
A transfiguração de Jesus, no topo de um monte, prefigura a Ressurreição. Os discípulos escolhidos têm a possibilidade de contemplá-lo na condição de Ressuscitado. Todos os elementos da cena apontam para isto. As vestes resplandecentes, absolutamente brancas, lembram o mundo divino, ao qual Jesus pertence, e evocam alegria e vitória. A presença de Elias e Moisés indica ser Jesus o enviado definitivo do Pai, e também, o esperado na consumação dos tempos. A reação de Pedro é característica de quem faz uma experiência do sobrenatural: querer perpetuar um momento privilegiado de contato com a divindade. A intervenção do Pai, cuja voz faz-se ouvir do meio de uma nuvem, não dá margem para dúvidas. Efetivamente, os discípulos têm diante de si um ser celestial, Filho amado de Deus, a quem devem dar toda atenção. Exatamente, como poderão constatar após a Ressurreição. Por conseguinte, o Jesus, que caminhará para a cruz, não será vítima de uma fatalidade histórica, nem um fracassado que não conseguiu impor o seu projeto. A transfiguração revela sua identidade de Filho amado do Pai, ao qual é absolutamente fiel. A ressurreição deixará patente esse amor. Após a morte ignominiosa de Jesus, na cruz, o Pai exaltará o Filho, ressuscitando-o para a gloriosa imortalidade. Aí a transfiguração não terá fim. E Jesus será glorioso para sempre! (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)
Novamente Jesus toma consigo um pequeno grupo (Pedro, Tiago e João) que como sempre são as testemunhas oculares de toda a história, a eles é apresentado um prelúdio de sua ressurreição gloriosa. Observe atentamente toda a simbologia descrita por Marcos. O cenário da Transfiguração não é um monte qualquer, mas uma “alta montanha”. O termo com certeza faz alusão ao que disse o profeta Isaías 2,2-3a “No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor...”. “Suas vestes tornaram-se resplandecentes” (v.3). Para os judeus era um sinal da glória celeste, ele é verdadeiramente o Messias. “Apareceram-lhes Elias e Moisés” (v.4). Elias representava os profetas e Moises a Lei, estando eles juntos a Jesus caracterizava que tudo estava sob o seu julgo. “Mestre, é bom para nós estarmos aqui” (v.5). Pedro diante do jubilo por vislumbrar um momento ímpar, deseja perpetuá-lo, ainda com a visão deturpada acredita que será ali o momento da instalação gloriosa do Reino, não sabia ele que esse momento seria eternizado, mas só a partir da Ascensão do Senhor. A cena descrita no v.7 está intimamente ligada ao Batismo de Jesus. E finalizando, temos a observação de só revelar o que viram após a ressurreição, e o motivo é obvio, não adiantaria em nada relatar agora já que ninguém iria entender. Vejamos, os próprios discípulos que a tudo presenciaram não conseguiram assimilar; “ressurgir dentre os mortos!”. Os judeus acreditavam na ressurreição, mas daí a aceitar que o Deus Redentor deveria também passar pela morte, ai já era pedir demais. Jesus anunciava uma ressurreição para já, enquanto que todos a aguardavam só no final dos tempos. (Ricardo Feitosa/Catequese Cristã Católica)
INTENÇÕES PARA SANTA MISSA
FAÇA SEU PEDIDO DE ORAÇÃO
SANTO DO DIA:
Transfiguração do Senhor - Festa - 06 de agosto
INTENÇÕES PARA O MÊS DE AGOSTO:
Universal: Voluntários ao serviço dos necessitados - Para que aqueles que colaboram no campo do voluntariado se entreguem com generosidade ao serviço dos mais necessitados.
Pela Evangelização: Ir ao encontro dos marginalizados - Para que, saindo de nós mesmos, saibamos fazer-nos próximos daqueles que se encontram nas periferias das relações humanas e sociais.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo Comum: O Tempo Comum começa no dia seguinte à Celebração da Festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento NALC 44.
Cor Litúrgica: VERDE - Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica
Se desejar receber nossas atualizações de uma forma rápida e segura, por favor, faça sua assinatura, é grátis. Acesse nossa pagina: http://catequesecristacatolica.blogspot.com.br/ e cadastre seu e-mail para recebimento automático, obrigado.

Nenhum comentário :
Postar um comentário
Ajude-nos a melhorar nossa evangelização, deixe seu comentário. Lembre-se, no seu comentário, de usar as palavras orientadas pelo amor cristão.
CATEQUESE CRISTÃ CATÓLICA
"Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica"