sábado, 28 de novembro de 2015

1º Domingo do Advento Ano “C” Lucas - A redenção está próxima

Primeira Leitura: Jr 33,14-16 - Salmo: 24,4bc-5ab.8-9.1014 (R.1b) - Segunda Leitura: 1Ts 3,12-4,2 - Evangelho: Lc 21, 25-28.34-36

A redenção está próxima

O domínio cada vez maior do homem moderno sobre as realidades do mundo, a capacidade de "possuir" os acontecimentos e de reduzi-los a algo de previsível, não dão oportunidade à "vigilância" no sentido bíblico da palavra, mas apenas à "previdência".

A tarefa que cabe a todos os homens de hoje é complexa; trata-se de transformar o mundo, promover as estruturas que o tornem habitável, inventar e reinventar continuamente para superar os grandes desafios que se impõem à humanidade: a fome, a guerra, a injustiça... Chegará o dia em que tudo será previsto e nada mais perturbará a segurança humana? 

O homem antigo sentia que lhe faltavam os recursos para conseguir chegar sozinho à realização da aventura humana, e nessa pobreza descobria o Deus que salva. O povo judeu se sentia guiado por Javé na fidelidade à aliança e esperava vigilante sua vinda: "Eu cumprirei as promessas..." (v. 14) (1ª leitura).

Para os primeiros cristãos, o acontecimento histórico de Jesus de Nazaré manifestava de tal modo "o Senhor que vem", que fazia convergir para ele toda a sua atenção e suas energias (2ª leitura).

Jesus de Nazaré se manifestava como o vigilante por excelência; seu alimento era fazer a vontade do Pai que o havia enviado; sua vigilância se traduzia na interrogação realista dos acontecimentos e no acolhimento do hoje de Deus na história dos homens.

Um sinal no sol

A Igreja primitiva insistia muito na vigilância (evangelho). É necessário manter-se pronto para a volta iminente do Senhor, que será imprevisível, será uma surpresa como a visita inesperada de um ladrão. Mas nos anos 70, um acontecimento marcou profundamente a ideia dos fiéis sobre a volta do Senhor: a destruição de Jerusalém evocava aos judeus e cristãos o fim do mundo.

Na passagem do evangelho de hoje tudo é descrito como se se tratasse de uma catástrofe cósmica que abala os astros e lança os homens na máxima confusão (vv. 25-26).

Lucas não pretende necessariamente anunciar o fim do mundo: recorre ao gênero literário dos apocalipses para dizer que a queda de Jerusalém será uma etapa decisiva para instaurar o Reino de Javé no mundo.

A conclusão que os primeiros cristãos tiraram do acontecimento é importante: o fim de Jerusalém não coincidiu com a volta do Senhor; portanto, a volta do Senhor tem, para a vida presente, uma atualidade permanente e imprevisível.

Igreja sem fronteiras

A vinda do Filho do homem coincidiu, entretanto, com a libertação total da Igreja do judaísmo; foi como a aurora da criação do novo mundo, um sinal da aproximação do Reino (vv. 27-31).

A queda de Jerusalém é uma etapa da vinda vitoriosa do Senhor, porque obrigou a Igreja a abrir-se às nações e a construir um culto espiritual, desvinculado do particularismo do Templo. Mas toda etapa da evangelização do mundo e toda etapa de humanização é também um passo adiante dessa vinda do Filho do homem. Toda conversão do coração, através da qual o homem se abre cada vez mais à ação do Espírito do Ressuscitado, é uma nova manifestação dessa vinda. A vigilância da Igreja - que a mantém pronta para a volta de seu Senhor - concerne, hoje de modo muito especial, a sua catolicidade. Em todo tempo, requer-se de cada igreja local ir ao encontro do Senhor que vem, com o coração aberto ao universalismo da caridade. Cada igreja deve, pois, estar atenta para não cair na tentação do particularismo, não ligar o cristianismo a um povo ou a um grupo cultural privilegiado.

Na expectativa de sua vinda

A eucaristia é celebrada por nós "até que ele venha"; isso põe em estado de expectativa todo aquele que dela participa, e realiza também verdadeiramente a lenta e paciente volta do Senhor na história da humanidade e de todos os homens. Participar da eucaristia com a convicção de que a volta do Senhor é coisa estranha à história dos homens, porque tornará ridículo todo esforço do homem com a sua vinda repentina, é simular a eucaristia feita do pão e do amor dos homens; é não compreender o verdadeiro significado da volta do Senhor.

O Reino, no seu devir, é presente e trata-se de começar a descobri-lo. Quem é vigilante está bastante preocupado com a extensão do Reino do Filho do homem, de modo a descobri-lo em germe em cada um e em todos.

Fonte: Missal Dominical (Paulus)
Foto retirada da internet caso seja o autor, por favor, entre em contato para citarmos o credito.



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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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