1ª Semana do Tempo Comum - 1ª Semana do Saltério
Prefácio próprio - Ofício do dia
Cor: Verde - Ano “C” Lucas
Antífona:
Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a
multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é
eterno.
Oração do Dia: Ó Deus, atendei como o Pai às preces do vosso povo; dai-nos a
compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!
Primeira
Leitura: Primeiro Livro de Samuel 8,4-7.10-22a
Naqueles dias,
todos os anciãos de Israel se reuniram, foram procurar Samuel em Ramá, e
disseram-lhe: "Olha, tu estás velho, e teus filhos não seguem os teus
caminhos. Por isso, estabelece sobre nós um rei, para que exerça a justiça
entre nós, como se faz em todos os povos". Samuel não gostou, quando lhe
disseram: "Dá-nos um rei, para que nos julgue". E invocou o Senhor. O
Senhor disse a Samuel: "Atende a tudo o que o povo te diz. Porque não é a
ti que eles rejeitam, mas a mim, para que eu não reine mais sobre eles".
Samuel transmitiu
todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedira um rei e disse: "Estes
serão os direitos do rei que reinará sobre vós: Tomará vossos filhos e os
encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à
frente do seu carro. Fará deles chefes de mil, e de cinquenta homens, e os
empregará em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas e
de seus carros. Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras.
Tirará os vossos melhores campos, vinhas e olivais e os dará aos seus
funcionários. Das vossas colheitas e das vossas vinhas ele cobrará o dízimo, e
o destinará aos seus eunucos e aos seus criados. Tomará também vossos servos e
servas, vossos melhores bois e jumentos, e os fará trabalhar para ele. Exigirá
o dízimo de vossos rebanhos, e vós sereis seus escravos. Naquele dia, clamareis
ao Senhor por causa do rei que vós mesmos escolhestes, mas o Senhor não vos
ouvirá".
Porém, o povo não
quis dar ouvidos às razões de Samuel, e disse: "Não importa! Queremos um
rei, pois queremos ser como todas as outras nações. O nosso rei administrará a
justiça, marchará à nossa frente e combaterá por nós em todas as guerras".
Samuel ouviu todas as palavras do povo e repetiu-as aos ouvidos do Senhor. Mas
o Senhor disse-lhe: "Faze-lhes a vontade, e dá-lhes um rei". -
Palavra do Senhor.
Comentário: A transformação política e
social que os tempos exigiam não acarretava necessariamente o abandono de Deus
por parte do povo. Tratava-se de duas concepções diversas a respeito de
governo, ligadas a duas tradições diferentes. As profundas divergências que
separam essas tradições encontram-se ainda hoje no plano cristão. Crer na
presença de Deus em seu povo e em cada um dos membros deste povo consistirá
porventura em oferecer-lhe oportunidade para uma intervenção direta, de cunho
mais ou menos maravilhoso? Ou consiste, ao contrário, em considerar Deus
presente justamente onde o homem assume a responsabilidade da ordem humana,
social ou política? O seguidor de Cristo adquiriu o direito de chamar-se filho
de Deus, e seu esforço em favor da ação política e social torna-se o sinal da ação
de Deus para a salvação do mundo. (Missal Cotidiano)
Salmo:
88(89),16-17.
18-19 (R. Cf. 2a) Ó Senhor eu cantarei eternamente o vosso amor
Quão feliz é aquele povo que conhece a
alegria; seguirá pelo caminho, sempre à luz de vossa face! Exultará de alegria
em vosso nome, dia a dia, e com grande entusiasmo exaltará vossa justiça.
Pois sois vós, ó Senhor Deus, a sua
força e sua glória, é por vossa proteção que exaltais nossa cabeça. Do Senhor é
o nosso escudo, ele é nossa proteção, ele reina sobre nós, é o Santo de Israel!
Evangelho
de Jesus Cristo segundo Marcos 2,1-12
Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em
Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. E reuniram-se
ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus
anunciava-lhes a Palavra.
Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por
quatro homens. Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão,
abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa
abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. Jesus, vendo-lhes
a fé daqueles homens, disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados".
Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus
corações: "Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém
pode perdoar pecados, a não ser Deus".
Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no
seu íntimo, e disse: "Por que pensais assim em vossos corações? O que é
mais fácil: dizer ao paralítico: os teus pecados estão perdoados, ou dizer:
Levanta-te, pega a tua cama e anda? Pois bem, para que saibais que o Filho do
Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados disse ele ao paralítico: eu te
ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!" O paralítico
então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram
todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: "Nunca vimos uma coisa
assim". - Palavra da Salvação.
Comentários:
As
pessoas do tempo de Jesus têm muita dificuldade para acreditar que ele tenha
poder de perdoar pecados. Isso acontece porque perdoar pecados é algo que
compete unicamente a Deus, e as pessoas da época de Jesus, principalmente as
autoridades religiosas, não o reconheceram como o Filho de Deus. Hoje em dia,
porém, vemos acontecer o contrário. Parece que o perdão dos pecados é algo tão comum
que a maioria das pessoas não valoriza mais isso como algo excepcional que Deus
realiza em nossas vidas, vulgarizando a graça sacramental e não dando o devido
valor ao Sacramento da Reconciliação. (CNBB)
A
insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura
do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no
teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns
escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma
verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus
era um blasfemo! A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é
significativa: cura o paralítico para provar que "o Filho do Homem tem, na
Terra, o poder de perdoar os pecados". O gesto poderoso de cura parece
insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo
modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por
quê? O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura
do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece
seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as
pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida,
buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além,
preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o
peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa
viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por
que o Mestre, antes de mais nada, que ver o ser humano liberto de seus pecados.
(Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)
Jesus
adota Cafarnaum como sendo sua cidade (Mt 9,1), e junto de sua comunidade,
mesmo sendo considerado impuro pelos sacerdotes, ele gozava de livre passagem e
lá tinha condições de anunciar o Reino de Deus, não só com palavras como faziam
os sacerdotes, mas com ações de misericórdia. Sempre que Jesus efetua uma cura
ele enfatiza: “Que queres que eu te faça?” ou “A tua fé te salvou”, não sei se
deu para perceber, mas neste caso em particular ele se pronuncia primeiro, o
que levou Jesus a tomar essa atitude? Marcos atesta que o motivo foi por ter
visto na ação dos amigos uma grande demonstração de fé. Acredito que Jesus viu
algo mais, pois sua preocupação não foi em efetuar uma cura física e sim
espiritual, vale lembrar que em todo o Evangelho de Marcos é a única vez que
ele fala em perdão dos pecados diante de uma cura. Segundo o costume da época o
perdão dos pecados que é uma ação de Deus, só deveria ser efetuado no templo
através das mãos de um sacerdote e cumprindo todo o rigor da lei. Será que
Jesus vendo a presença dos escribas e sabendo qual seria a reação dos mesmos,
não tenha se utilizado da situação para esclarecer de uma vez por todas que ele
é o “Filho de Deus” e que toda sua ação é vontade do Pai. (Ricardo e Marta)
Fonte: CNBB - Missal
Cotidiano (Paulus)
Foto retirada da internet
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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