Um rito sacrifical sela o pacto entre Deus e Abraão, na
mesma linha dos ritos que toda religião realiza como expressão de suas
relações com a divindade. Mas alguns elementos entre os que são postos em
evidência, adquirem sucessivamente, à luz da história da salvação, um sentido
bem maior.
A iniciativa vem de Deus. Sua é a escolha de Abraão, sua a
promessa de uma terra e de uma descendência que ultrapassa toda esperança.
Abraão tem fé no Senhor, e isto lhe é imputado como justiça. Desde então o
caminho de Abraão, amigo do Senhor, se orientará de acordo com os planos
daquele que o chamou e que caminha ao lado dele. Deus oferece sua amizade;
Abraão e os seus dizem sim. A aliança éo novo sentido da história pessoal de Abraão
e do povo que dele nascerá como sinal da fidelidade de Deus. Da parte de Deus,
a aliança, com suas promessas e suas exigências, jamais será traída: Abraão se
torna dono da terra que Deus lhe havia prometido.
O povo se esquecerá muito frequentemente do seu Deus, mas o
Senhor será fiel à aliança. É o "Deus de Abraão, Isaac, Jacó" que
manda Moisés fazer sair o povo do Egito e estabelece com ele uma aliança
no Sinai, na
perspectiva de um novo ingresso na terra dos antepassados.
Toda aliança supõe uma saída e uma entrada; um êxodo do
Egito e um ingresso na terra prometida; ou, segundo os profetas, um êxodo do
pecado, da injustiça social, do formalismo cultual, para um ingresso no reino
messiânico de paz e de fidelidade.
A aliança nos engaja
Cristo se apresenta como a aliança definitiva entre Deus e o
seu povo. Também para ele a aliança se faz através de um êxodo (no evangelho,
Moisés e Elias falam do seu "êxodo", sua morte) e de um ingresso (a
face do Cristo muda de aspecto e as suas vestes fulgurantes indicam a
ressurreição). Como a aliança com Abraão se faz no rito de passagem no meio dos
animais sacrificados, e a aliança do Sinai na aspersão do sangue sobre o povo
presente, também a aliança definitiva se faz no sangue do Filho de Deus.
A Ceia do Senhor: celebração da aliança
Os apóstolos não compreendem, no momento, o episódio da
transfiguração, mas quando o Espírito desce sobre eles, tornam-se as
testemunhas do fato decisivo da cruz e ressurreição. A eles e a toda a
comunidade suscitada por seu testemunho, é confiado o memorial da nova aliança,
selado não com o sangue dos animais imolados, mas com o sangue de Cristo, para
a remissão dos pecados.
A Igreja, tornada herdeira de Israel e da promessa de
Abraão, renova sua aliança com Deus, através do rito da eucaristia, no qual a
palavra de ação de graças torna explícito o gesto da comunidade. O Pão e o
Vinho partilhados são o sinal da nossa comunhão com Deus, da nossa caminhada
com Cristo, nele e com ele, aceitando as exigências da aliança na alegria de
sermos seus amigos. Reconheçamos também que a iniciativa é de Deus, e com
humildade, mas com coragem, como Paulo (2ª leitura), tomemos nossa parcela nas
lutas pelo anúncio do evangelho, sabendo que a tarefa é comum, do Pai e nossa.
Bíblia: palavras do Deus da aliança
A um homem fechado em si mesmo, bloqueado em sua exacerbada
autonomia, profundamente inquieto, estrangeiro num mundo que não conhece, urge
redescobrir algo ou alguém em quem confiar para dar segurança e sentido à
própria vida. A comunidade cristã oferece a esse homem uma proposta de solução
apresentando o Deus da aliança, o Deus que entra em contato conosco, o Deus que
nos trata por "tu" e a quem podemos tratar por "tu". E é na
Bíblia que encontramos esse Deus "diferente". A um homem empenhado,
portanto, em dar uma solução e uma direção a sua vida, impõe-se uma avaliação
atenta e responsável da proposta da Escritura e depois uma leitura que procure
apreender o seu sentido profundo, ultrapassando uma concepção episódica e
mítica.
Esse estudo se impõe particularmente ao cristão, para o qual
o encontro com o Deus da aliança se faz antes de tudo na comunidade cristã e na
Palavra que nela é proclamada.
Não basta uma leitura pessoal; corremos o risco de pôr a
palavra de Deus a nosso serviço, de cair num estéril subjetivismo, de não
permitir que a palavra "reviva”.
A leitura "comunitária" faz com que a Palavra de
Deus caminhe junto com a comunidade; enriquece-a continuamente, através da ação
do Espírito, com novos significados e atualizações, que fazem penetrar melhor
no mistério do plano salvífico.
Ótima oportunidade para tal confronto comunitário é a
preparação, em grupo, das leituras da liturgia dominical.
Primeira Leitura: Gn 15,5-12 17-18 -
Salmo: 26,1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a) - Segunda Leitura: Fl 3,17-4,1 - Evangelho: Lc
9,28b-36
Fonte:
Missal Dominical (Paulus)
Foto retirada da internet
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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Bom dia!
ResponderExcluirAs reflexões das leituras e principalmente do Evangelho tem me ajudado bastante, sou ministra da palavra (iniciante, muito Obrigado, quero louvar e agradecer a Deus por toda a equipe desse Blog. Na minha comunidade os encontro pra preparação da liturgia do domingo são muito fraca gostaria de orientações de como fortalecer esses encontros.