As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário
(22) afirmam: “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de
Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia
de festa, ou melhor, ‘como um grande domingo’. É principalmente nesses dias que
se canta o aleluia”.
Os cinquenta dias do Tempo Pascal devem ser considerados e
vividos como uma unidade, como uma única festa. São cinquenta dias de Páscoa.
Por isso, os domingos são chamados de domingos da Páscoa e não de domingos
depois da Páscoa.
A Páscoa da Ressurreição, Ascensão e Pentecostes não
constituem festas independentes. “Existe íntima relação entre Páscoa da
Ressurreição, Ascensão e Pentecostes. Páscoa da Ressurreição é a vitória,
Ascensão é o triunfo pela vitória sobre o pecado e a morte, Pentecostes é a
distribuição dos dons, do Espírito Santo” (Beckhäuser, 2008).
“Os oito primeiros dias do Tempo pascal formam a oitava da
Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor” (NALC, nº 24). Constituem
uma unidade, como se fossem um prolongamento do Domingo da Ressurreição. Por
isso, no prefácio da Páscoa se usa a expressão “neste dia”, para demonstrar que
a oitava forma um único dia com o Domingo da Ressurreição. Os textos bíblicos
nos levam a viver a presença de Cristo ressuscitado em nossa vida. No rito da
despedida, ao dizer: “Ide em paz...” acrescenta-se o duplo Aleluia.
Depois do domingo da Ressurreição, os domingos da Páscoa são
chamados de 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º domingos da Páscoa (cf. NALC 23). A
solenidade da Ascensão do Senhor deveria ser celebrada no quadragésimo dia da
Páscoa. No Brasil, ela é transferida para o domingo seguinte, ocupando assim o
7º domingo da Páscoa (cf. NALC 25).
A grande característica do Tempo Pascal é a alegria pela
presença do Cristo ressuscitado. Ela transparece nos cantos, sobretudo no
Glória e no Aleluia, no acendimento do Círio pascal, na cor branca ou dourada
dos paramentos litúrgicos e no uso de muitas flores na ornamentação.
Os textos bíblicos do Tempo Pascal proclamam os
acontecimentos pascais da morte, ressurreição, ascensão de Jesus Cristo e o dom
do Espírito Santo. Aprofundam a fé e a esperança no Senhor Jesus. Ajudam a
viver a nova vida de batizados, como testemunhas do Cristo ressuscitado.
Até o 3º domingo da Páscoa os evangelhos recordam as
aparições de Cristo ressuscitado. Os textos são do Evangelho de João, com
exceção do 3º domingo dos anos A e B, nos quais se proclama o Evangelho de
Lucas 24. No 4º domingo é proclamado o Evangelho do Bom Pastor. Nos domingos
5º, 6º e 7º são proclamados textos do ensinamento e da oração de Jesus depois
da última Ceia (cf. João 13-17).
A primeira leitura é tirada dos Atos dos Apóstolos para
mostrar que a Igreja nasce do mistério pascal. Agora é o tempo da Igreja.
A segunda leitura muda, conforme o ciclo trienal: no ano A é
tirada da Primeira Carta de São Pedro; no ano B: da Primeira Carta de São João;
no ano C: do Apocalipse.
A solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada no 7º domingo
da Páscoa, já que não temos feriado na quinta-feira do quadragésimo dia da
Páscoa. O que importa é o mistério celebrado e não o número que fixa a data.
Nos três anos A, B e C, a primeira e a segunda leitura são
sempre as mesmas. A primeira leitura dos Atos dos apóstolos 1,1-11 recorda a
Ascensão e a promessa do envio do Espírito Santo. A segunda leitura de Efésios
1,17-23 fala que Cristo ressuscitado está sentado à direita de Deus e que é a
Cabeça da Igreja, seu corpo. O Evangelho muda conforme o ciclo anual: ano A:
Mateus 28,16-20; ano B: Marcos 16,15-20; ano C: Lucas 24,46-53. Os três textos
falam da missão que Cristo deixou à sua Igreja.
Cristo, que veio do Pai, agora retorna para o Pai, subindo
glorioso. Ao subir para o Pai nos levou consigo e nos introduziu no seio da
vida divina da Trindade Santa. Por isso, a Ascensão do Senhor é a festa da
nossa vitória, embora ainda estejamos aqui. Assim suplicamos na Oração do dia:
“Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos
exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo,
somos chamados na esperança a participar da sua glória”.
Com a Ascensão, termina a experiência da presença visível de
Jesus em nosso meio. Começa o tempo da sua presença invisível através do sinal
visível do seu corpo, que é a Igreja, animada pelo Espírito Santo. Começa o
tempo da missão da Igreja.
O Tempo da Páscoa se encerra com a solenidade de
Pentecostes, no qual se celebra a vinda do Espírito Santo, no quinquagésimo
(50) dia da Páscoa.
“Páscoa e Pentecostes estão estreitamente unidos, se
requerem mutuamente e formam uma unidade, pois a ação do Cristo se realiza na
força do Espírito” (Lelo). Pentecostes é o coroamento da Páscoa de Cristo, a
plenitude do mistério pascal. No prefácio de Pentecostes proclama-se: “Para
levar à plenitude os mistérios pascais, derramastes, hoje, o Espírito Santo prometido”
(Missal Romano).
As leituras bíblicas, normalmente, são as mesmas para os
anos A, B e C. A primeira leitura é dos Atos dos Apóstolos 2,1-11: “Todos
ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar”. A segunda leitura é da
Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12,3b-7.12-13: “Fomos batizados num
único Espírito, para formarmos um único corpo”. No ano B, a segunda leitura
também pode ser Gálatas 5,16-25: “O fruto do Espírito”. E no ano C: Romanos
8,8-17: “Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus, são filhos
de Deus”. O Evangelho é de João 20,19-23: “Assim como o Pai me enviou, também
eu vos envio: Recebei o Espírito Santo!” No ano B, o Evangelho também pode ser
João 15,26-27; 16,12-15: “O Espírito da verdade os encaminhará à verdade
completa”. E no ano C: João 14,15-16.23b-26: “O Espírito Santo vos ensinará
todas as coisas”.
No entardecer de sábado, também está prevista uma Missa da
Vigília. As leituras estão assim distribuídas: primeira leitura: Gn 11,1-9, ou
Ex 19,3-8a.16-20b, ou Ez 37,1-14, ou Jl 3,1-5; segunda leitura: Rm 8,22-27;
Evangelho: Jo 7,37-39.
O dom do Espírito Santo transforma os medrosos discípulos em
testemunhas do Cristo ressuscitado. Naquela manhã de Pentecostes, fazem o
grande anúncio, sobretudo através de Pedro: Jesus crucificado ressuscitou. Ele
é o Cristo, nosso Senhor e Salvador (cf. At 2).
A Igreja, vivificada e impulsionada pelo Espírito Santo,
parte para a sua missão de levar a Boa Notícia de Jesus Cristo a todos os
recantos do mundo (cf. At 2,5-11).
A antífona de comunhão resume o que acontece conosco na
festa de Pentecostes: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e proclamavam as
maravilhas de Deus, aleluia” (Missal Romano).
Terminado o Tempo Pascal, o Círio é retirado do espaço
litúrgico e guardado no batistério ou em outro lugar digno. Será usado para
acender as velas, sobretudo na celebração do Batismo, mas também na Crisma e na
Primeira Comunhão.
Mons. José Wilmar Dalla Costa
/ Coordenador Diocesano de Pastoral
Foto retirada da internet
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