Evangelho de Jesus Cristo segundo João 8,1-11
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los.
Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo.
Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. - Palavra da Salvação.
Comentários:
5-6 «Tu que dizes?» Tratava-se duma cilada à pessoa de Jesus. Se Ele dissesse que se devia apedrejar a adúltera, os seus inimigos conseguiriam denegrir a sua misericórdia para com os pecadores, que chegava a ser motivo de duras críticas (cf. Lc 5,30; 15,2; 19,7), e poderiam denunciá-lo à autoridade romana por mandar executar uma pena capital, que lhe estava reservada. Se dissesse que se lhe devia perdoar, podia vir a ser acusado ao Sinédrio como advogado da desobediência à Lei (cf. Lv 20,10; Dt 17,5-7; 22,20-24). Mas Jesus põe a questão noutros termos: não se trata de escolher entre a observância da Lei e a misericórdia, entre a justiça e a caridade, mas sim entre a mentira e a verdade, entre a hipocrisia dos acusadores e a sinceridade de quem se reconhece pecador e chora o seu pecado. A Lei não determinava o género de morte, a não ser para a virgem que depois dos esponsais aguardava o início da vida conjugal (Dt 22,23-24). Talvez se tivesse vindo a generalizar a lapidação, ou então tratava-se duma noiva após os esponsais e antes das bodas. Note-se que os rabinos da época cristã, por razão de benignidade, comutaram o apedrejamento pelo estrangulamento, pena menos selvagem. 6 «Começou a escrever com o dedo no chão». S. Jerónimo, baseado em Jer 17,13, comenta curiosamente que se pôs a escrever os pecados dos acusadores. 7-9 «Atire a primeira pedra»: isto pertencia pela Lei (Dt 13,10; 17,7) à principal testemunha de acusação. Com esta sentença, Jesus pretende confundir a malícia de falso zelo pela Lei, da parte dos seus inimigos, hipocritamente arvorados em defensores duma Lei que não observavam. A sentença de Jesus transforma os acusadores em acusados; e o receio de virem a ser desmascarados por Cristo fá-los debandar. 11 «Nem Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar». O Senhor mostra-se tolerante e compassivo para com a pessoa que peca e ao mesmo tempo intransigente para com o pecado, ofensa a Deus, e, neste caso, um absoluto moral, que em nenhuma circunstância se poderia justificar. (presbíteros.com.br)
Os inimigos de Jesus viviam criando armadilhas para pegá-lo, mas eles mesmos é que acabavam caindo nelas. Não tendo motivos plausíveis para condená-lo, buscavam, inutilmente, uma deixa para levá-lo às barras do tribunal. O confronto com a mulher surpreendida em flagrante adultério não deixou Jesus embaraçado. Seus adversários, tão espertos para flagrar o pecado alheio, não foram capazes de esconder de Jesus os próprios pecados. Afinal, não é a mulher a grande pecadora, e sim, os escribas e fariseus que a acusavam. Não só: estes, quanto mais velhos, mais se encontravam atolados no pecado. A idade não os levou a amadurecer na virtude. Pelo contrário, cresceram na maldade e na malícia. Consequentemente, faltava-lhes moral para acusar aquela pobre mulher. A exortação final que o Mestre lhe dirigiu - "Não peques mais!" - aplica-se perfeitamente bem aos seus inimigos. Estes intencionavam pôr Jesus à prova. Mostraram-se impiedosos com uma mulher, de cuja fraqueza se prevaleceram. Quiseram parecer honestos, quando, na verdade, viviam no pecado, uma vez que se insurgiam contra o enviado do próprio Deus. Antes de mais ninguém, eles é que deveriam converter-se. A única coisa boa que fizeram foi colocar a pecadora em contato com o coração misericordioso de Jesus. (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)
SUGESTÃO PARA REFLEXÃO
Vai e não tornes a pecar
O evangelho de hoje continua a lembrar-nos a misericórdia de Jesus, sempre pronto a perdoar. Mesmo que alguém tivesse cometido os maiores crimes do mundo, tem ainda aberto o coração de Cristo, que nos lava no Seu sangue, que nos limpa de todo o pecado.
A nossa reconciliação com Deus passa pelo sacramento da reconciliação. Ao institui-lo, em dia de Páscoa, Jesus diz aos apóstolos: «àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes serão retidos» (Jo 20,23). Jesus concede-lhes esse poder e ensina que só neste sacramento dará o perdão. Por isso pensam erradamente os que afirmam que se confessam diretamente a Deus. Ele, que é o ofendido, é que põe as condições e não quem O ofendeu, que somos nós.
Temos de estimar muito este sacramento maravilhoso. É o sacramento da alegria, que nos tira de cima das costas o peso dos nossos pecados. Robert de Niro, cineasta americano, numa das suas películas, relata a sua história de menino num dos bairros mais pobres de Nova Yorque, o Bronx. O pequeno personagem de nove anos tinha visto um assassinato mas não contou à polícia que o interrogara. Para tirar aquele peso das costas foi à igreja confessar-se. Juntamente com as suas traquinices referiu aquela situação sem revelar nomes. O sacerdote deu-lhe a absolvição e uns Pai-nossos de penitência. E o cineasta faz, em voz de fundo, este comentário: – que maravilha ser católico, porque, graças à confissão, podes partir sempre do zero.
Na confissão podemos sempre começar uma vida nova e ser nova criatura, de que falava S. Paulo.
Temos de animar os sacerdotes para este ministério tão importante, hoje que se veem tão absorvidos por muitos trabalhos. João Paulo II, no seu livro Dom e mistério, por ocasião dos seus cinquenta anos de sacerdote, conta a sua visita a Ars, em França, quando era jovem sacerdote, em fins de 1947. Emocionou-se ao visitar a igreja onde o santo Cura d’Ars confessara: «S. João Maria Vianney impressiona – refere o papa – sobretudo porque nele se revela a força da graça que age na pobreza de meios humanos. Tocava-me profundamente, de modo particular, o seu heroico serviço no confessionário. Aquele humilde sacerdote, que confessava mais de dez horas por dia, alimentando-se pouco e dedicando ao descanso apenas umas horas, tinha conseguido num período histórico difícil, suscitar uma espécie de revolução espiritual em França e não só. Milhares de pessoas passavam por Ars e ajoelhavam-se no seu confessionário
…Do encontro com a sua figura nasceu-me a convicção de que o sacerdote realiza uma parte essencial da sua missão através do confessionário, através daquele fazer-se «prisioneiro do confessionário» (Dom e mistério(Lisboa 1996) p.66).
Na cena da mulher adúltera que escutamos, o Senhor perdoa-lhe mas lembra: Vai e não tornes a pecar. Um elemento próprio do arrependimento e uma das suas manifestações é o propósito de emenda. Embora saibamos que podemos voltar a cair estamos dispostos a lutar seriamente para evitar todo o pecado.
Temos de pedir ao Senhor a graça duma verdadeira contrição com o propósito decidido de evitar o pecado. Pode ser a forma de fazermos melhor a nossa confissão nesta Quaresma.
É importante a acusação dos pecados e a Igreja continua a chamar a atenção para os abusos das absolvições coletivas que vão aparecendo aqui e além.
Mas o mais importante dos atos do penitente é a contrição ou dor de amor. Ao menos a contrição imperfeita, arrepender-se pela fealdade do pecado, perda do paraíso ou temor do castigo do inferno. (presbíteros.com.br)
Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
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Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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