Prefácio da Quaresma - Ofício do dia
Cor: Roxo - Ano “C” Lucas
Antífona:
Salmo
55,2 Tende piedade de mim, Senhor, pois me atormentam; todos os dias me oprimem
os agressores.
Oração do Dia: Ó
Deus, que pela vossa graça inefável nos enriqueceis de todos os bens,
concedei-nos passar da antiga à nova vida, preparando-nos assim para o reino da
glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo. Amém!
Primeira
Leitura: Profecia de Daniel 13,1-9.15-17.19-30.33-62
Naqueles dias: na Babilônia vivia um homem chamado Joaquim. Estava casado com uma mulher chamada
Susana, filha de Helcias, que era muito bonita e
temente a Deus. Também os pais dela eram pessoas
justas e tinham educado a filha de acordo com a lei de Moisés. Joaquim
era muito rico e possuía um pomar junto à sua
casa. Muitos judeus costumavam visitá-lo, pois era o mais respeitado de todos.
Ora, naquele ano, tinham sido nomeados juízes dois anciãos do povo, a respeito dos quais o Senhor havia dito: Da Babilônia brotou a maldade de anciãos-juízes, que passavam por condutores do povo. Eles frequentavam a casa de Joaquim, e todos os que tinham alguma questão se dirigiam a eles. Ora, pelo
meio-dia, quando o povo se dispersava, Susana
costumava entrar e passear no pomar de seu
marido. Os dois anciãos viam-na todos os dias
entrar e passear, e
acabaram por se apaixonar por ela. Ficaram
desnorteados, a ponto de desviarem os olhos
para não olharem para o céu, e se esqueceram dos seus justos julgamentos.
Assim, enquanto os dois estavam à espera de uma ocasião favorável, certo dia, Susana entrou no pomar como de costume, acompanhada apenas por duas empregadas. E sentiu vontade de tomar banho, por causa do calor. Não havia ali
ninguém, exceto os dois velhos que estavam
escondidos, e a espreitavam. Então ela disse às
empregadas: Por favor, ide buscar-me óleo e
perfumes e trancai as portas do pomar, para que eu possa tomar banho.
Apenas as empregadas tinham saído,
os dois velhos levantaram-se e correram para Susana, dizendo: Olha,
as portas do pomar estão trancadas e ninguém nos
está vendo. Estamos apaixonados por ti: concorda conosco e entrega-te a nós! Caso contrário, deporemos contra ti, que um moço esteve aqui, e que
foi por isso que mandaste embora as empregadas.
Gemeu Susana, dizendo: Estou
cercada de todos os lados! Se eu fizer isto,
espera-me a morte; e, se não o fizer, também não escaparei das vossas mãos; mas é melhor para mim, não o fazendo, cair nas vossas mãos do que pecar diante do Senhor! Então ela pôs-se a gritar em alta voz, mas também os dois velhos gritaram contra ela. Um deles correu para as portas do pomar e as abriu. As pessoas da casa ouviram a gritaria no pomar e precipitaram-se pela porta do fundo, para ver o que estava acontecendo, Quando os velhos apresentaram sua versão dos fatos, os empregados ficaram muito constrangidos, porque jamais se dissera coisa semelhante a respeito de Susana.
No dia seguinte, o povo veio reunir-se em casa de Joaquim, seu marido. Os dois anciãos vieram também, com
a intenção criminosa de conseguir sua condenação
à morte. Por isso, assim falaram ao povo reunido:
Mandai chamar Susana, filha
de Helcias, mulher de Joaquim! E foram chamá-la.
Ela compareceu em companhia dos pais, dos filhos e de todos os seus parentes. Os que estavam com ela e todos os
que a viam, choravam. Os dois velhos levantaram-se
no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça
de Susana. Ela, entre lágrimas, olhou para o céu,
pois seu coração tinha confiança no Senhor.
Entretanto, os dois anciãos deram este
depoimento: Enquanto estávamos passeando a sós no
pomar, esta mulher entrou com duas empregadas.
Depois, fechou as portas do pomar e mandou as servas embora. Então,
veio ter com ela um moço que estava escondido,
e com ela se deitou. Nós,
que estávamos num canto do pomar, vimos esta
infâmia. Corremos para eles e os surpreendemos
juntos. Quanto ao jovem, não conseguimos agarrá-lo,
porque era mais forte do que nós e, abrindo as portas, fugiu. A
ela, porém, agarramos, e perguntamos quem era
aquele moço. Ela, porém, não quis dizer. Disto nós somos testemunhas. A
assembleia acreditou neles, pois eram anciãos do
povo e juízes. E condenaram Susana à morte.
Susana, porém, chorando, disse em voz
alta: Ó Deus eterno, que conheces as coisas
escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! Tu sabes que é
falso o testemunho que levantaram contra mim!
Estou condenada a morrer, quando
nada fiz do que estes maldosamente inventaram a
meu respeito! O Senhor escutou sua voz.
Enquanto a levavam para a execução,
Deus excitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. E ele clamou em
alta voz: Sou inocente do sangue desta mulher! Todo o povo então voltou-se para ele e perguntou: Que palavra é esta, que acabas de dizer? De pé, no meio deles, Daniel respondeu: Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem
conhecimento da causa verdadeira, vós condenais
uma filha de Israel? Voltai a repetir o julgamento,
pois é falso o testemunho que
levantaram contra ela!
Todo o povo voltou apressadamente,
e outros anciãos disseram ao jovem: Senta-te no meio de nós e dá-nos
o teu parecer, pois Deus te deu a honra da
velhice. Falou então Daniel: Mantende os dois separados, longe
um do outro, e eu os julgarei. Tendo sido separados, Daniel
chamou um deles e lhe disse: Velho encarquilhado
no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. Fazias
julgamentos injustos, condenando inocentes e
absolvendo culpados, quando o Senhor ordena:
Tu não farás morrer o inocente e o justo! Pois bem, se é que viste, dize-me
à sombra de que árvore os viste abraçados? Ele
respondeu: É sombra de uma aroeira. Daniel replicou Mentiste com
perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo
recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo
meio!
Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: Raça
de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te
e a paixão perverteu o teu coração. Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se
submeteu a essa iniquidade. Agora, pois, dize-me
debaixo de que árvore os surpreendeste juntos? Ele
respondeu: Debaixo de uma azinheira. Daniel retrucou: Também tu
mentiste com perfeição, contra a tua própria
cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera,
com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!
Toda a assistência pôs-se a gritar com
força, bendizendo a Deus, que salva os que nele
esperam. E voltaram-se contra os dois velhos,
pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de
que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a
lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. E assim os
mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma
vida inocente. - Palavra do Senhor.
Comentário: A história-parábola de Susana
adquire seu mais autêntico significado se for enquadrada na situação particular
do povo hebreu, solicitado pela cultura helenística a abraçar o paganismo, como
efetivamente alguns fizeram. Susana é a personificação dos justos que não cedem
a nenhuma pressão ou ameaça, cheios de confiança em Deus e fiéis à religião dos
pais. Com a intervenção de Daniel, as sortes se invertem: restaura-se a
justiça. Admoestação para todos aqueles que, passando ao paganismo, cometeram
adultério contra o amor esponsal de Deus para com Israel (as árvores do jardim,
na literatura profética, são os lugares simbólicos dos antigos "adultérios"
do povo na presença de Deus); aos justos, contudo, a narrativa deve infundir
confiança de que Deus não os abandona. Para nós é um aviso a que resistamos às
múltiplas solicitações de uma vida demasiado fácil, até mesmo paganizada, como
exige a fidelidade ao nosso batismo. (Missal Cotidiano)
Salmo:
22, 1-3a.
3b-4. 5. 6 (R. 4a) Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu
temerei, estais comigo.
O Senhor é o pastor que me conduz; não
me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
Ele me guia no caminho mais seguro, pela
honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu
temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
Preparais à minha frente uma mesa, bem à
vista do meu inimigo, com óleo vós ungis minha cabeça, e meu cálice transborda.
Felicidade e todo bem hão de seguir-me,
por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João 8,1-11
Naquele tempo, disse Jesus aos
fariseus: “Eu
sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da
vida”. Então os fariseus disseram: “O teu testemunho não vale,
porque está dando testemunho de ti mesmo”. Jesus respondeu: “Ainda que eu dê
testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e
para onde vou. Mas vós não sabeis donde venho, nem par aonde vou. Vós julgais
segundo a carne, eu não julgo ninguém, e se eu julgo, o meu julgamento é
verdadeiro, porque não estou só, mas comigo está o Pai, que me enviou. Na vossa
lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. Ora, eu dou
testemunho do mim mesmo e também o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim”. Perguntaram
então: “Onde está o teu Pai?” Jesus respondeu: “Vos não conheceis nem a mim,
nem o meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai”. Jesus disse
estas coisas, enquanto estava a ensinando no templo, perto da sala do tesouro.
E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado. - Palavra da Salvação.
Comentário:
Ao
autoproclamar-se "luz do mundo", Jesus reconhecia que este, marcado
pelo pecado, não tinha como salvar-se por si mesmo. Foi necessário que o Pai
enviasse o Filho com a missão de abrir perspectivas novas para a humanidade, a
qual se fechara no próprio egoísmo. Portanto, somente por meio de Jesus é
possível chegar à salvação. Quando a humanidade deixa-se guiar por esta luz,
descobre os caminhos que conduzem à vida. Quando vaga nas trevas, seu destino é
a morte. Luz e trevas, vida e morte, condenação e salvação são as opções que
todos temos de fazer. O caminho orientado pela luz da vida comporta duas
dimensões. A primeira é a dimensão histórica: consiste em trilhar o caminho do
amor, da misericórdia e da solidariedade, no trato mútuo. É a vida manifestada
num modo de proceder peculiar, próprio de quem possui a vida divina. A segunda
corresponde à vida eterna, à comunhão plena com o Deus da vida. O caminho de
quem prefere as trevas também comporta as mesmas duas dimensões. A primeira
consiste numa vida pontilhada de injustiças e de maldade para com o próximo. A
segunda, por sua vez, corresponde à ruptura definitiva com o Deus da vida, ou
seja, à morte eterna. É sempre tempo de decidir-se, de acolher a luz oferecida
por Jesus e, por ela, caminhar. (Padre
Jaldemir Vitório/Jesuíta)
SANTO DO DIA
TEMPO
LITÚRGICO: QUARESMA
Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
Foto retirada da internet
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Fique com Deus e sob a
proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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obrigado.


João não sabia o verdadeiro motivo de ninguém por a mão em Jesus. É porque ainda não havia assumido os pecados da humanidade conf. Isaias. Enquanto Ele não tinha pecado não era possível mata-lo. Só depois que assume a culpa dos homens se torna tão maldito como todos. Aí acontece o que Paulo disse: o salário do pecado é a morte. No reino do Pai não existe aparências: assumiu é como se tivesse feito. É por causa deste ato de Jesus que os demais homens encontraram a porta do perdão.
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