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HOMILIA DIÁRIA - PAPA FRANCISCO

domingo, 2 de outubro de 2016

Roteiro Homilético 27º Domingo do Tempo Comum Ano “C”

Primeira Leitura

Profecia de Habacuc 1,2-3; 2,2-4

Como o profeta devemos estar atentos à resposta de Deus à nossa oração de súplica. Tal oração não muda a atitude de Deus, mas faz-nos descobrir a pobreza, os limites e a mesquinhez dos nossos planos e, por isso, permite-nos uma grande certeza: Deus é fiel.

A leitura está escolhida em função do Evangelho, que fala da fé. A pequenina obra do profeta contemporâneo de Jeremias (séc. VII-VI) começa por duas queixas a que o Senhor responde. No texto temos a primeira queixa (1, 2-3) e a segunda resposta (2, 2-4), em que sobressai o apelo à fé. Deus não deixa de ouvir os seus amigos que Lhe pedem socorro; pode tardar a obra divina da salvação (2, 3), mas «há de cumprir-se com certeza», «na devida altura», de modo que só vacila «aquele que não tem alma reta». Com efeito, o justo é da fé que tira a coragem para superar todas as dificuldades que venham a desabar sobre ele, por isso mesmo é que ele viverá. Por outro lado, também se pode entender o texto no sentido de que a fidelidade à aliança é garantia de vida para o justo. S. Paulo, em Rom 1, 17, faz uma atualização deste texto, utilizando-o como mote para a sua longa e profunda exposição sobre a «justificação», isto é, sobre a ação divina pela qual o próprio Deus justifica, isto é, torna justo, salva, o homem pecador. Trata-se duma iniciativa gratuita da parte de Deus, que não é fruto daquilo que o homem possa fazer cumprindo uma série de requisitos legais da Lei de Moisés. A primeira condição essencial para o homem se salvar, para viver a vida divina, é esta: pela fé, acolher confiado e agradecido o dom de Deus, que lhe vem por Cristo, e ser-lhe fiel. Note-se a importância que na época se dava ao profeta Habacuc: o célebre Péxer de Habacucencontra-se entre os manuscritos de Qumrã.


Segunda Leitura

2ª Carta de São Paulo a Timóteo 1,6-8.13-14

Esta leitura convida-nos a não cedermos ao desânimo e a renovarmos o empenho e as opções fundamentais da nossa vida de cristãos, para testemunharmos a verdade.

Começamos hoje, até ao fim do ano C, a ter como 2ª leitura uns respingos da 2ª Carta a Timóteo, a última das chamadas Cartas Pastorais, uma carta tão cheia de alusões pessoais, que são um forte sinal de autenticidade, apesar das muitas objecções em contrário. Escrevendo do segundo cativeiro romano, pelo ano 67, S. Paulo exorta o seu fiel colaborador a perseverar incansavelmente no ministério da pregação e na defesa da sã doutrina, prevenindo das ameaças que se avizinham para a fé reta.

6 «Reanimes o dom que recebeste pela imposição das minhas mãos». O rito da imposição das mãos tem aqui, como em 1Tim 4,14 o sentido de comunicação do ministério apostólico; o dom corresponde à graça do Sacramento da Ordem (segundo o ensino de Trento: cf. DS 959), que se pode reativar com a oração e o sacrifício, na correspondência às exigências da vocação (versículos seguintes). Como então, ainda hoje pertence ao sinal sacramental da Ordem a imposição das mãos do Bispo.

14 «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (à letra: «guarda o bom depósito»). Bom, isto é, precioso e autêntico, um depósito, que são as palavras sãs segundo a fé (v. 13). A Revelação divina é um depósito sagrado confiado à Igreja e que ela tem de guardar e transmitir íntegro (cf. Dei Verbum, nº 7 e 10); é assim que em 1Tim 6,20 é dirigido ao grande colaborador de Paulo o veemente apelo final, «guarda o depósito», uma expressão de sabor jurídico (parathêkê), para designar uma coisa confiada à guarda duma pessoa de confiança, com a obrigação de lha guardar, sem deixar que se perca ou deteriore.

Evangelho

Evangelho: de Jesus Cristo segundo Lucas 17,5-10

A fidelidade à fé não pode ser estática, morta, mas viva e sempre em crescimento, por obra do Espírito Santo.

O texto de hoje pertence à última parte (Lc 16,1 - 19,27) dos ensinamentos de Jesus na grande viagem para Jerusalém; aqui o Evangelista recolhe relatos diversos e de forma bastante dispersa, muitos deles exclusivos de Lucas.

5. «Os Apóstolos disseram ao Senhor». Notar como, diversamente dos outros Sinópticos, S. Lucas, na sua narração, frequentemente designa Jesus como «o Senhor», ainda antes da ressurreição.

6 «Diríeis a esta amoreira». Em Mt 17,20 e Mc 11,23, lê-se: a este monte, não deverá, porém, tratar-se duma suavização da arrojada forma de falar de Jesus, mas antes podemos pensar numa outra expressão paralela usada pelo Senhor.

7-10 Esta expressiva lição de humildade é exclusiva de Lucas. «Um servo…»: embora não se tratasse de um escravo à maneira romana, mas de um servo à maneira hebraica, não deixava de ser um criado para todo o serviço: lavar, cozinhar e servir à mesa, etc… Assim devemos nós estar dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus, Nosso Senhor – «o Amo» (ou Patrão, como gostava de lhe chamar o Beato D. Manuel González) –, com ânimo humilde e agradecido, pois não fazemos qualquer favor a Deus – servos inúteis –. Ele é que nos faz o máximo favor de nos admitir a servi-lo; este é o primeiro dever duma criatura relativamente ao seu Criador.

Sugestões para reflexão

Dificuldades e situações absurdas

Frequentemente achamo-nos embaraçados com os acontecimentos que nos relatam jornais, revistas e noticiários, bem como situações absurdas a que assistimos no nosso dia-a-dia: injustiças, fome, desemprego, doenças inexplicáveis, desgraças nunca imaginadas. Não conseguimos encontrar respostas aceitáveis para tais adversidades e, então, como no tempo de Habacuc, procuramos interrogar o Senhor e exigir d’Ele uma resposta ou uma atitude que colmate tais situações.

Todavia, a resposta de Deus é sempre a mesma: «Continua a acreditar. Talvez hoje não consigas entender os fundamentos da minha permissão, mas mantém-te fiel; um dia assistirás à minha interferência libertadora!».

A nossa oração não modifica a atitude de Deus, mas ajuda-nos a descobrir as nossas limitações, a tacanhez dos nossos planos, as nossas inseguranças. O refrão do salmo que recitámos é o eco a essas interrogações: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações».

Essa voz abre-nos o coração, ajuda-nos a abandonar as nossas esperas, as nossas firmezas, os nossos programas e interrogações e faz com que admitamos os planos de Deus. É isso que Deus nos pede e é esta fé que nos salva.

O sentido da vida

A fé não consiste em admitir um punhado de verdades. A fé do cristão admite uma escolha concreta: a de seguir o Mestre. Ela não é estática, mas dinâmica. Algumas vezes ela é diminuta, como foi a dos Apóstolos, que pediam ao Senhor que aumentasse a sua fé.

Para tal é necessário ter audácia para repudiar certos hábitos, fazer algumas rejeições, dar determinados passos.

A fé em Jesus é capaz de realizar coisas que aos olhos dos homens parecem impossíveis, como ouvimos no relato do Evangelho. Se a fé se traduzir numa adesão determinada e radical à proposta do Mestre, se for transformada num compromisso concreto de vida, os resultados serão sempre excepcionais.

Jesus não nos convida a usar a fé para obrigar Deus a satisfazer as nossas ambições ou manias. Ela convida-nos a darmos um sentido à nossa vida sanando rancores antigos, diminuindo distâncias raciais, preconceitos que nos entravam o diálogo com pessoas difíceis. No nosso coração há raízes muito fundas de inimizades que nos inibem e que não conseguimos arrancar, para nos livrarmos delas.

Muitos caracterizam-nos, a nós cristãos, sublinhando a fé, outros salientam a caridade, poucos evocam o cristão como o homem da esperança, aquele que não só acredita mas tem a certeza de que o Reino de Deus triunfará. No final a fé conseguirá arrancar todas as «amoreiras, plantando-as no mar», como nos relata Jesus no Evangelho.

O cristão que procura agir bem no seu quotidiano apenas para receber um prémio da parte de Deus está radicalmente enganado, pois não faz as coisas por amor, mas por egoísmo. É uma das profundas raízes existentes em nós que teremos de arrancar do coração e do pensamento. Todas as boas obras por nós praticadas são, no fundo, um dom do próprio Deus e não mérito nosso. Só seremos felizes se agirmos gratuitamente. Tudo o que fizermos não deve ser para agradar aos homens, nem para aprovação final por Deus. Fazendo-o desinteressadamente seremos na verdade imagem e semelhança de Deus Pai que está nos céus.

Só assim nos comportaremos como servos inúteis de que fala Jesus no final do Evangelho.

Reavivar a consciência

Recebemos muitos dons. É necessário reavivar a consciência da nossa condição de privilegiados e da responsabilidade que ela comporta.

Cada dia devemos reacender o amor, a fé e a esperança que, no dia do baptismo, foram ateadas pelo Espírito, a fim de não desanimarmos e podermos renovar o empenho e as opções fundamentais da nossa vida. Para tal, procuremos uma maior reflexão da Palavra do Mestre, para um crescente entendimento da Sua mensagem.

A fidelidade ao depósito da fé não consiste na repetição rigorosa e sempre idêntica de fórmulas às vezes impenetráveis e de gestos rituais que talvez não nos digam nada. A fé do cristão não é uma fidelidade morta mas viva e ativa, em contínuo crescimento, por obra do Espírito Santo.

Procuremos reavivar e fazer crescer em nós esta fé que consegue mover montanhas.

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Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica

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