Considera de onde te vem a existência, a respiração, a
inteligência, a sabedoria, e, acima de tudo, o conhecimento de Deus, a
esperança do reino dos céus e a contemplação da glória que, no tempo presente,
é ainda imperfeita como num espelho e em enigma, mas que um dia haverá de ser
mais plena e mais pura. Considera de onde te vem a graça de seres filho de
Deus, herdeiro com Cristo e, falando com mais ousadia, de teres também sido
elevado à condição divina.
De onde e de quem vem tudo
isso?
Ou ainda, – se quisermos falar de coisas menos importantes e
que podemos ver com os nossos olhos – quem te concedeu a felicidade de
contemplar a beleza do céu, o curso do sol, a órbita da lua, a multidão dos
astros e aquela harmonia e ordem que se manifestam em tudo isso como uma lira
afinada?
