ALGUMAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO E
AÇÃO
163.
Procurei examinar a situação atual da humanidade, tanto nas brechas do
planeta que habitamos, como nas causas mais profundamente humanas da degradação
ambiental. Embora esta contemplação da realidade em si mesma já nos indique a
necessidade duma mudança de rumo e sugira algumas ações, procuremos agora
delinear grandes percursos de diálogo que nos ajudem a sair da espiral de
autodestruição onde estamos a afundar.
1. O diálogo sobre o meio
ambiente na política internacional
164.
Desde meados do século passado e superando muitas dificuldades, foi-se
consolidando a tendência de conceber o planeta como pátria e a humanidade como
povo que habita uma casa comum. Um mundo interdependente não significa
unicamente compreender que as consequências danosas dos estilos de vida,
produção e consumo afetam a todos, mas principalmente procurar que as soluções
sejam propostas a partir duma perspectiva global e não apenas para defesa dos
interesses de alguns países. A interdependência obriga-nos a pensar num único
mundo, num projeto comum. Mas, a mesma inteligência que foi utilizada para um
enorme desenvolvimento tecnológico não consegue encontrar formas eficazes de
gestão internacional para resolver as graves dificuldades ambientais e sociais.
Para enfrentar os problemas de fundo, que não se podem resolver com ações de
países isolados, torna-se indispensável um consenso mundial que leve, por
exemplo, a programar uma agricultura sustentável e diversificada, desenvolver
formas de energia renováveis e pouco poluidoras, fomentar uma maior eficiência
energética, promover uma gestão mais adequada dos recursos florestais e
marinhos, garantir a todos o acesso à água potável.






