20. Neste contexto, não será inútil recordar a relação entre
justiça e misericórdia. Não são dois aspectos em contraste entre si, mas duas
dimensões duma única realidade que se desenvolve gradualmente até atingir o seu
clímax na plenitude do amor. A justiça é um conceito fundamental para a
sociedade civil, normalmente quando se faz referimento a uma ordem jurídica
através da qual se aplica a lei. Por justiça entende-se também que a cada um
deve ser dado o que lhe é devido. Na Bíblia, alude-se muitas vezes à justiça
divina, e a Deus como juiz. Habitualmente é entendida como a observância
integral da Lei e o comportamento de todo o bom judeu conforme aos mandamentos
dados por Deus. Esta visão, porém, levou não poucas vezes a cair no legalismo,
mistificando o sentido original e obscurecendo o valor profundo que a justiça
possui. Para
superar a perspectiva legalista, seria preciso lembrar que, na Sagrada
Escritura, a justiça é concebida essencialmente como um abandonar-se confiante
à vontade de Deus.
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sábado, 27 de junho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Jubileu da Misericórdia: Misericordiae Vultus - 4ª Parte
16. No Evangelho de Lucas, encontramos outro aspecto
importante para viver, com fé, o Jubileu. Conta o evangelista que Jesus voltou
a Nazaré e ao sábado, como era seu costume, entrou na sinagoga. Chamaram-No
para ler a Escritura e comentá-la. A passagem era aquela do profeta Isaías onde está escrito: «O espírito do
Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me para levar a
boa-nova aos que sofrem, para curar os desesperados, para anunciar a libertação
aos exilados e a liberdade aos prisioneiros; para proclamar um ano de
misericórdia do Senhor» (61,1-2).
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Jubileu da Misericórdia: Misericordiae Vultus - 3ª Parte
11. Não podemos esquecer o grande ensinamento que ofereceu São
João Paulo II com a sua segunda encíclica, a Dives in misericordia, que então
surgiu inesperada suscitando a surpresa de muitos pelo tema que era abordado.
Desejo recordar especialmente dois trechos. No primeiro deles, o Santo Papa
assinalava o esquecimento em que caíra o tema da misericórdia na cultura dos
nossos dias: « A
mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece
opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a
tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito
de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem, o qual, graças ao enorme
desenvolvimento da ciência e da técnica nunca antes verificado na história, se
tornou senhor da terra, a subjugou e a dominou (cf. Gn 1, 28). Um tal domínio
sobre a terra, entendido por vezes unilateral e superficialmente, parece não
deixar espaço para a misericórdia. (...) Por esse motivo, na hodierna situação
da Igreja e do mundo, muitos homens e muitos ambientes guiados por um vivo sentido
de fé, voltam-se quase espontaneamente, por assim dizer, para a misericórdia de
Deus ».[9]
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Jubileu da Misericórdia: Misericordiae Vultus - 2ª Parte
6. «É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisto, se
manifesta de modo especial a sua omnipotência».[5] Estas palavras de
São Tomás de Aquino
mostram como a misericórdia divina não seja, de modo algum, um sinal
de fraqueza, mas antes a qualidade da omnipotência de Deus. É por isso que a
liturgia, numa das suas coletas mais antigas, convida a rezar assim: «Senhor,
que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis…» [6] Deus
permanecerá para sempre na história da humanidade como Aquele que está
presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Jubileu da Misericórdia: Misericordiae Vultus - 1ª Parte
Misericordiae
Vultus (Rosto da Misericórdia) - 1ª Parte
Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia
- Francisco bispo de Roma servo dos servos de Deus a quantos lerem esta carta
graça, misericórdia e paz.
1. Jesus Cristo é o rosto da
misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas
palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o
seu clímax em Jesus de Nazaré. O Pai, «rico em misericórdia» (Ef 2,4), depois
de ter revelado o seu nome a Moisés como «Deus misericordioso e clemente,
vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade» (Ex 34, 6), não cessou de dar a
conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza
divina. Na «plenitude do tempo» (Gl 4,4), quando tudo estava pronto segundo o
seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos
revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem O vê, vê o Pai (cf. Jo 14,9). Com a sua
palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, [1] Jesus de Nazaré revela a
misericórdia de Deus.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Por que motivo um Jubileu da Misericórdia, hoje? - Papa Francisco
Simplesmente porque a Igreja é chamada, neste tempo de
grandes mudanças epocais, a oferecer mais vigorosamente os sinais da presença e
proximidade de Deus. Este não é o tempo para nos deixarmos distrair, mas para o
contrário: permanecermos vigilantes e despertarmos em nós a capacidade de fixar
o essencial. É o tempo para a Igreja
reencontrar o sentido da missão que o Senhor lhe confiou no dia de Páscoa: ser
sinal e instrumento da misericórdia do Pai (cf. Jo 20, 21-23).
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