domingo, 19 de julho de 2015

16º Domingo Comum Ano “B” Marcos - Servos do rebanho, não senhores

Primeira Leitura: Jr 23,1-6 - Salmo 22,1-3a.3b-4.5.6 (R. 1.6a) - Segunda Leitura: Ef 2,13-18 - Evangelho Mc 6,30-34

Servos do rebanho, não senhores

Profundamente enraizada na experiência dos "arameus nômades" (Dt 26,5), como eram os patriarcas de Israel em meio a uma civilização pastoril, a metáfora do pastor que guia o rebanho exprime admiravelmente dois aspectos aparentemente contrários e, em geral, separados, da autoridade exercida sobre os homens. 

O pastor é guia que ama

É homem forte, capaz de defender seu rebanho contra os animais ferozes (1Sm 17,34-37; cf Mt 10,16; At 20,29); é também delicado para com suas ovelhas, conhecendo sua condição, adaptando-se a sua situação, levando-as no colo (Is 40,11), amando ternamente cada uma "como uma filha" (2Sm 12,3). Sua autoridade é indiscutível, baseada na dedicação e no amor. Mas comumente a autoridade se torna uma tentação... De fato, os pastores de Israel se revelaram infiéis à sua missão. Não procuraram Javé (Jr 10,21), revoltaram-se contra ele (Jr 2,8), não cuidando do rebanho, e apascentando-se a si mesmos (Ez 34,3), deixando que as ovelhas se desgarrassem e se dispersassem (1ª leitura). Mas Javé tomará em suas mãos o rebanho (Jr 23,3), reuni-lo-á (Mq 4,6), conduzi-lo-á e o fará repousar em pastagens verdejantes e águas calmas (salmo responsorial) Depois, providenciará para elas "pastores segundo seu coração", para que haja um só pastor, um novo Davi, tendo Javé como Deus.

A intensa expectativa dos antigos profetas cumpre-se em Jesus. "Éreis errantes como ovelhas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas almas" (1Pd 2,25). O tema do rebanho disperso é comum à leitura e ao evangelho, no qual se diz que Jesus "se comove por causa deles, pois eram como ovelhas sem pastor”.

Jesus, bom pastor

Entre a promessa (Antigo Testamento) e seu cumprimento (Novo Testamento) há um paralelismo preciso e antitético: os chefes exploram o povo, enquanto Jesus e seus discípulos se dedicam a ele a tal ponto que não têm tempo nem para comer; o povo está separado dos chefes, enquanto Jesus é o chefe (pastor) que o reúne; o povo se constitui em virtude de um poder régio extrínseco, enquanto o novo povo é convocado pela palavra de Jesus. Mas a divergência de método se revela mais claramente por estas palavras do Senhor: "Os chefes das nações, vós o sabeis, dominam sobre elas, e os grandes exercem poder sobre elas. Entre vós não será assim; mas quem quiser tornar-se grande entre vós, se fará servo de todos, e quem quiser ser o primeiro se fará vosso escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido..." (Mt 20,25-28)

Com estas e muitas outras palavras, o Novo Testamento declara que os pastores da Igreja, enviados por Deus à frente do seu povo, têm um modo de exercer a autoridade totalmente diverso do que tem o mundo.

A este respeito, é muito significativo que todo sacerdote e bispo seja ordenado em primeiro lugar diácono isto é, servidor: estar humildemente a serviço de todos permanece um elemento fundamental de toda a sua obra.

Para um serviço mais pleno

Em toda sociedade, o serviço desinteressado não desperta nunca muito entusiasmo. Trata-se, pois, de uma função da qual o sacerdote (o pastor) não será facilmente privado. Conforme suas possibilidades, ele conserva algo do desprendimento e da liberdade absoluta do Senhor. Tornou-se livre para estar ligado ao povo de Deus sem preocupações pessoais, para carregar o peso das preocupações da Igreja. Por isto, a Igreja do Ocidente decidiu só ordenar sacerdotes aos que, com este fim, pretendam permanecer celibatários. O sentido do celibato é o de uma disponibilidade mais plena ao serviço dos irmãos. Ao mesmo tempo, torna-se cada vez mais aguda a consciência de que o sacerdote não deve ser rico: a posse das coisas divide o coração e é fonte de divisão entre as pessoas.

"A distinção feita pelo Senhor entre os ministros sagrados e o resto do povo de Deus inclui um liame, estando os Pastores e os outros fiéis ligados entre si por um intercâmbio necessário; que os Pastores da Igreja, a exemplo de Cristo se sirvam entre si e sirvam os outros fiéis, e estes, por sua vez, prestem sua colaboração aos Pastores e mestres, de boa vontade. Assim, na diversidade, todos dão testemunho da admirável unidade no corpo de Cristo, pois a própria variedade de graças, de ministérios e de operações reúne num só corpo os filhos de Deus, uma vez que 'todas essas coisas são obra de um único Espírito"' (1Cor 12,11). (LG 32,c).

Fonte: Missal Dominical (Paulus)

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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  
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