Primeira Leitura: Jr 23,1-6 - Salmo 22,1-3a.3b-4.5.6 (R.
1.6a) - Segunda Leitura: Ef 2,13-18 - Evangelho Mc 6,30-34
Servos do rebanho, não senhores
Profundamente enraizada na experiência dos "arameus
nômades" (Dt 26,5), como eram os patriarcas de Israel em meio a uma
civilização pastoril, a metáfora do pastor que guia o rebanho exprime
admiravelmente dois aspectos aparentemente contrários e, em geral, separados,
da autoridade exercida sobre os homens.
O pastor é guia que ama
É homem forte, capaz de defender seu rebanho contra os
animais ferozes (1Sm 17,34-37; cf Mt 10,16; At 20,29); é também delicado para
com suas ovelhas, conhecendo sua condição, adaptando-se a sua situação,
levando-as no colo (Is 40,11), amando ternamente cada uma "como uma
filha" (2Sm 12,3). Sua autoridade é indiscutível, baseada na dedicação e
no amor. Mas comumente a autoridade se torna uma tentação... De fato, os
pastores de Israel se revelaram infiéis à sua missão. Não procuraram Javé (Jr
10,21), revoltaram-se contra ele (Jr 2,8), não cuidando do rebanho, e
apascentando-se a si mesmos (Ez 34,3), deixando que as ovelhas se desgarrassem
e se dispersassem (1ª leitura). Mas Javé tomará em suas mãos o rebanho (Jr
23,3), reuni-lo-á (Mq 4,6), conduzi-lo-á e o fará repousar em pastagens
verdejantes e águas calmas (salmo responsorial) Depois, providenciará para elas
"pastores segundo seu coração", para que haja um só pastor, um novo
Davi, tendo Javé como Deus.
A intensa expectativa dos antigos profetas cumpre-se em
Jesus. "Éreis errantes como ovelhas, mas agora voltastes ao pastor e
guarda de vossas almas" (1Pd 2,25). O tema do rebanho disperso é comum à
leitura e ao evangelho, no qual se diz que Jesus "se comove por causa
deles, pois eram como ovelhas sem pastor”.
Jesus, bom pastor
Entre a promessa (Antigo Testamento) e seu cumprimento (Novo
Testamento) há um paralelismo preciso e antitético: os chefes exploram o povo,
enquanto Jesus e seus discípulos se dedicam a ele a tal ponto que não têm tempo
nem para comer; o povo está separado dos chefes, enquanto Jesus é o chefe
(pastor) que o reúne; o povo se constitui em virtude de um poder régio
extrínseco, enquanto o novo povo é convocado pela palavra de Jesus. Mas a
divergência de método se revela mais claramente por estas palavras do Senhor:
"Os chefes das nações, vós o sabeis, dominam sobre elas, e os grandes
exercem poder sobre elas. Entre vós não será assim; mas quem quiser tornar-se
grande entre vós, se fará servo de todos, e quem quiser ser o primeiro se fará
vosso escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido..."
(Mt 20,25-28)
Com estas e muitas outras palavras, o Novo Testamento
declara que os pastores da Igreja, enviados por Deus à frente do seu povo, têm
um modo de exercer a autoridade totalmente diverso do que tem o mundo.
A este respeito, é muito significativo que todo sacerdote e
bispo seja ordenado em primeiro lugar diácono isto é, servidor: estar
humildemente a serviço de todos permanece um elemento fundamental de toda a sua
obra.
Para um serviço mais pleno
Em toda sociedade, o serviço desinteressado não desperta
nunca muito entusiasmo. Trata-se, pois, de uma função da qual o sacerdote (o
pastor) não será facilmente privado. Conforme suas possibilidades, ele conserva
algo do desprendimento e da liberdade absoluta do Senhor. Tornou-se livre para
estar ligado ao povo de Deus sem preocupações pessoais, para carregar o peso
das preocupações da Igreja. Por isto, a Igreja do Ocidente decidiu só ordenar
sacerdotes aos que, com este fim, pretendam permanecer celibatários. O sentido
do celibato é o de uma disponibilidade mais plena ao serviço dos irmãos. Ao
mesmo tempo, torna-se cada vez mais aguda a consciência de que o sacerdote não
deve ser rico: a posse das coisas divide o coração e é fonte de divisão entre
as pessoas.
"A distinção feita pelo Senhor entre os ministros
sagrados e o resto do povo de Deus inclui um liame, estando os Pastores e os
outros fiéis ligados entre si por um intercâmbio necessário; que os Pastores da
Igreja, a exemplo de Cristo se sirvam entre si e sirvam os outros fiéis, e
estes, por sua vez, prestem sua colaboração aos Pastores e mestres, de boa
vontade. Assim, na diversidade, todos dão testemunho da admirável unidade no
corpo de Cristo, pois a própria variedade de graças, de ministérios e de
operações reúne num só corpo os filhos de Deus, uma vez que 'todas essas coisas
são obra de um único Espírito"' (1Cor 12,11). (LG 32,c).
Fonte: Missal Dominical
(Paulus)
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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Muito bom esse site. A paz de Cristo a todos. Belém PA.
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